Elizabeth e Gary Siders têm 16 filhos que partilhavam um quarto de 14 metros quadrados. Nenhuma das crianças ia à escola e têm comportamentos "selvagens".
Arrancou no Ohio o julgamento de Elizabeth e Gary Siders, pais de 16 crianças acusados de porem em perigo a saúde dos seus filhos por negligência. Na primeira sessão em que foi ouvida, Elizabeth negou todas as acusações de maus tratos infantis. Também dois dos avós das crianças estão a ser acusados de maus tratos infantis, apesar de o avô ter sido considerado inapto. Na primeira sessão, o pai também afirmou ser inocente de todas as acusações.
No início do julgamento, Elizabeth Siders, de 34 anos, negou os maus tratos infantis. As crianças foram encontradas em "condições deploráveis" na casa onde viviam em Hamden, em julho deste ano.
De acordo com a acusação citada pelo The Guardian, as crianças eram "quase selvagens" e coabitaram num quarto de 14 metros quadrados ao longo de quatro anos. As crianças - com idades compreendidas entre os 17 meses e os 18 anos - não iam à escola e alguns são mesmo não verbais. A filha mais velha, de 18 anos, tem dificuldade em expressar-se oralmente e não sabe assinar.
Quando as autoridades encontraram os irmãos, em julho, estes viviam em condições miseráveis, rodeados de lixo e dejetos humanos. Na altura, o xerife de Vinton, Ryan Cain, afirmou: "A maior parte do nosso gado é mantido em melhores condições do que estas crianças".
As crianças foram descobertas enquanto as autoridades levavam a cabo buscas em outra investigação não relacionada, explicou o procurador-geral do Ohio, Andy Wilson, que descreveu as condições em que os pais as mantinham como "mal em estado puro" e que nunca na sua vida profissional tinha encontrado um cenário tão "horroroso".
Os jornalistas que estiveram em Hamden falaram com vizinhos - a vila tem cerca de mil habitantes - que ficaram espantados ao descobrirem que havia crianças a viver naquela casa. "Eles mantinham as crianças fora de vista", explicou o procurador-geral.
Os progenitores foram indiciados noutro processo que envolve dois casos de assalto sexual e conduta sexual imprópria com um menor, alegadamente um familiar que esteve ao cuidado da família em 2022.
A defesa do casal e da avó das crianças apresentou um pedido para que sejam declarados inaptos para serem julgados. O tribunal já atribuiu esse estatuto ao avô.
O advogado de Elizabeth, Tommy Stolly, defendeu que a sua cliente esteve grávida durante maior parte da vida desde que casou, aos 15 anos, e que nunca recebeu cuidados pós-parto, deixando-a "com distúrbios mentais graves". "Estou preocupado sobre os efeitos que os pós-partos e constantes períodos de gravidez tiveram sobre a sua mente", questionou. "Não estamos a afirmar que houve maus tratos, nada foi ainda provado, mas a sua mente não estava lá e ela não tinha capacidade para perceber isso e tomar decisões de forma informada", concluiu.
As crianças foram retiradas aos pais que estão impedidos de ter contacto com os filhos, por ordem judicial.
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