Os escândalos dos reis: D. Afonso VI, o Impotente (1643-1683)

Pedro Jorge Castro 01 de novembro de 2015

Foi consagrado pela História com o cognome O Vitorioso. Mas passou pela humilhação de ver 14 mulheres testemunharem que ele era incapaz na cama

Entre 9 de Janeiro e 23 de Fevereiro de 1668, nas tardes de segundas, quartas e sábados, 55 testemunhas foram chamadas ao paço do arcebispo de Lisboa para depor, em audiências públicas, sobre a incapacidade sexual do Rei D. Afonso VI. Em causa estava o pedido de anulação do casamento feito pela rainha, a francesa D. Maria Francisca de Sabóia, que, apenas dois dias depois de ter conhecido o noivo, desabafou com o jesuíta Francisco de Vila: "Meu padre, parece-me que não terá Portugal sucessores deste Rei."

Nos meses seguintes, na confissão, continuou a queixar-se ao sacerdote de que o Rei era "inábil e impotente". Acabou por se refugiar no Convento da Esperança, pediu a nulidade da cerimónia e designou o duque de Cadaval para ser seu procurador no processo, deixando-lhe esta carta: "Apartei-me da companhia de Sua Majestade, que Deus guarde, por não haver tido efeito o matrimónio em que nos concertámos (...)."

O caso foi julgado por três autoridades eclesiásticas e um júri com quatro desembargadores e quatro cónegos. Entre as primeiras testemunhas, sobressaíram 14 mulheres com quem Afonso VI tinha tentado envolver-se. Com a mão direita em cima dos evangelhos, prometeram dizer a verdade e não pouparam nos pormenores, segundo um manuscrito da Torre do Tombo publicado em 1925 por António Baião, intitulado Causa de nulidade de matrimónio entre a rainha D. Maria Francisca Isabel de Saboya e o Rei D. Afonso VI.

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