Manuela de Azevedo, a primeira nos jornais (1911-2017)

Maria Espírito Santo 16 de fevereiro de 2017

Professora e poetisa, será sempre lembrada como a primeira jornalista portuguesa. Entrevistou personalidades como Humberto II de Itália às escondidas da PIDE

Corria o ano 1945 quando foi chamada para uma entrevista de última hora: ia conversar com Ernest Hemingway. O escritor norte-americano, um dos incontornáveis do século XX, estava de passagem por Lisboa – o seu navio atracava por breves instantes na capital. Até se atrasou o horário de partida para que o prestigiado passageiro trocasse ideias com Manuela de Azevedo – nervosa porque não se tinha preparado para o encontro.

No ano seguinte disfarçou-se de criada para enganar os guardas da PIDE e entrevistar Humberto II de Itália, exilado em Portugal. E houve ainda aquela vez em que foi à caça ao cachalote – apesar de não saber nadar. Com uma vida longa e repleta de peripécias, morreu aos 105 anos na sexta-feira, dia 10. Foi a primeira mulher a adoptar o jornalismo como profissão, em Portugal.

Nascida em Lisboa, a 31 de Agosto de 1911, cresceu em Mangualde e estudou em Viseu onde viria a dar aulas de Francês e Português. Nos tempos livres, dedicava-se à poesia. Foi nessa altura, com apenas 22 anos, que enviou o primeiro texto ao jornal República. Matar por piedade tratava da eutanásia; foi censurado mas isso não a parou, muito pelo contrário. O jornal rapidamente lhe pediu que ficasse a tempo inteiro e por isso mudou-se para Lisboa.

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