O primeiro papel de Lucélia Santos carimbou-a para a vida. Mesmo longe da TV desde os princípios do século, continua a ser conhecida pelo seu desempenho naquela personagem de novela, do tempo da escravatura brasileira.
Há 50 anos, grande parte dos brasileiros não perdia pitada da novela Escrava Isaura, escrita por Gilberto Braga e inspirada no livro de Bernardo de Guimarães, publicado em 1875. De outubro de 1976 a fevereiro de 1977, a atriz Lucélia Santos, então com 19 anos, estreava-se no papel principal e seria catapultada, nos anos seguintes, para a fama global. Ainda hoje, meio século volvido, a personagem lhe continua colada à pele, mesmo que depois tenha integrado vários elencos da Globo, até ter sido afastada do pequeno ecrã no início do século XXI. Desde então, marca presença no teatro e no cinema e intensificou a sua veia ativista, em defesa dos povos indígenas e do meio ambiente. Foi, aliás, para mostrar a peça que encena desde 2022, Vozes da Floresta – Chico Mendes Vive, que alia as duas facetas da sua atual existência, que esteve em Lisboa, no fim de semana passado, no Festival Todos, e voltará nos dias 21, 22 e 23, ao Teatro Villaret, também na capital. À SÁBADO, dias antes de entrar no avião para cá, mostrou-se expectante com a estreia em palcos nacionais: “Trata-se de uma emoção muito grande, porque Portugal é um país querido do meu coração, somos povos irmãos, e há um compromisso sério com o público português, que me acompanha há anos, desde a novela.”
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