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Demónios, ursos e dragões: cinco mitos em torno dos eclipses ao longo da história

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Os eclipses são exemplo de como diferentes sociedades procuraram compreender fenómenos naturais muito antes de existirem explicações científicas.

O primeiro eclipse registado pela humanidade poderá datar de 3340 a.C. e foi encontrado no Monumento Megalítico de Loughcrew, na Irlanda. Mas apesar dos eclipses terem contribuído para avanços científicos fundamentais (confirmando, por exemplo, a Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein), durante milénios o fenómeno alimentou mitos, religiões e superstições. 

Escultura de Rahu no templo Wat Phra Loi (Tailândia)
Escultura de Rahu no templo Wat Phra Loi (Tailândia) กสิณธร ราชโอรส/Wikipédia

O dragão comilão

Por volta de 1200 a.C., escribas de Anyang, na China, registaram eclipses em omoplatas de bois e carapaças de tartarugas. Nesses registos, os escribas apontaram: "O Sol foi comido." A verdade é que durante milénios os chineses acreditavam que um dragão era responsável por comer o Sol durante o fenómeno que hoje chamamos de eclipse. Numa tentativa de afugentar a fera, as pessoas tocavam tambores e faziam muito barulho durante o eclipse. Como o Sol voltava a aparecer, os esforços pareciam ser recompensados.

Os demónios vingativos

Também aqui há apetite pelo Sol, embora igualmente pela Lua. De acordo com a mitologia hindu, os eclipses são causados pelos demónios Rahu e Ketu, duas entidades que resultaram da divisão de um mesmo ser após tentar roubar o néctar da imortalidade dos deuses. Amaldiçoados a vaguear pelos céus como planetas-sombra, planeiam engolir o Sol ou a Lua como forma de vingança. Porém, como um não tem corpo e o outro não tem cabeça, nenhum consegue manter os astros presos por muito tempo.

A serpente malvada

Segundo a mitologia egípcia, Ra, o deus do Sol, atravessava diariamente o céu numa embarcação sagrada, iluminando o mundo. Só que durante as suas viagens era constantemente ameaçado por Apep, uma gigantesca serpente que personificava o caos e a escuridão. De vez em quando, Apep conseguia atacar Ra e ocultar temporariamente o Sol, provocando a escuridão de um eclipse, mas Ra saía sempre vitorioso e a luz voltava a brilhar.

Representação do deus Ra
Representação do deus Ra PharaohCrab/Wikipédia

Os lobos gigantes

Na mitologia nórdica, o eclipse está associado a Sköll e Hati, dois lobos gigantes, filhos de Fenrir (e netos de Loki), um monstruoso lobo associado ao caos e ao destino. A missão destes irmãos passa por perseguir incessantemente os astros pelos céus: Sköll caça a deusa do Sol, Sól, enquanto Hati persegue Máni, a Lua. Segundo a tradição nórdica, os eclipses acontecem quando os lobos se aproximam perigosamente das suas presas. Mas quando um dia finalmente o conseguirem será o Ragnarök, ou seja, o fim do mundo como o conhecemos.

O urso conflituoso

Segundo uma lenda do povo indígena Pomo, da Califórnia, um urso caminhava pela Via Láctea quando encontrou o Sol. O urso exigiu que este saísse do seu caminho, mas, perante a recusa, os dois envolveram-se numa disputa. Durante a luta, o urso foi tapando progressivamente os raios solares até cobrir completamente o Sol, mergulhando a Terra na escuridão. No final, o animal mordeu mesmo o Sol que acabou por se libertar. O urso continuou o seu percurso, mas, mais tarde, envolveu-se numa escaramuça semelhante com a Lua, explicando assim, segundo esta tradição, não apenas os eclipses solares, mas também os lunares.

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