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Município italiano compra antiga mansão de Mussolini para a manter longe “fascistas nostálgicos”

Débora Calheiros Lourenço 04 de abril de 2026 às 11:37

Daniela Angelini, a presidente da Câmara Municipal de Riccione, defendeu que a compra da Villa Mussolini através de um leilão foi “um ato de amor".

Uma câmara municipal italiana compra uma villa onde Benito Mussolini passava as suas férias de verão para evitar que a propriedade caísse nas mãos de “fascistas nostálgicos”.  

Município compra mansão de Mussolini para evitar nostalgia fascista X

Daniela Angelini, a presidente da Câmara Municipal de Riccione, cidade próxima de Rimini defendeu que a compra da Villa Mussolini através de um leilão foi “um ato de amor e visão” e trazer a mansão para as mãos públicas foi uma vitória para toda a cidade.  

O município terá vencido o leilão contra um comprador privado que era um antigo membro do Movimento Social Italiano, o partido neofascista fundado em 1946 pelos remanescentes do apoio a Mussolini.  

A mansão foi construída, a poucos metros do mar, em 1893 e comprada pela segunda esposa de Mussolini, Rachele, em 1934. O ditador fascista utilizava a villa para assuntos governamentais e lazer e chegava quase sempre de hidroavião. Mais tarde a família Mussolini expandiu a propriedade adicionando um terceiro andar, vinte quartos e um campo de ténis. 

Depois da Segunda Guerra Mundial e da queda do regime fascista em Itália, a propriedade passou para a gestão pública e durante as décadas de 1950 e 60 foi utilizada para diversos fins comerciais, incluindo uma clínica veterinária para cães e um restaurante.  

No final da década de 1970 Riccione teve um presidente da câmara comunista que chegou a querer demoli-la, nessa altura a propriedade acabou por ficar abandonada e no final do século passado foi comprada pela Cassa di Risparmio, que a restaurou e abriu em 2005 como um espaço para exposições de arte e outros eventos públicos, incluindo casamentos civis. No ano passado a fundação decidiu leiloá-la e reabriu as divisões na cidade com os vereadores do Irmãos de Itália, partido da primeira-ministra Giorgia Meloni, a defenderem que quem comprasse a propriedade não deveria mudar o seu nome.  

Daniela Angelini, responsável pela aquisição por parte do município, concorda que o nome não deve ser alterado porque a história precisa de ser preservada e não “cancelada” e defende que mudar o nome pode ter um “efeito perigoso” de transformar a vila num local para “fascistas nostálgicos”. O plano passa por continuar a utilizar a Villa Mussolini como um espaço comunitário, incluindo para exposições que contem o “bom, o mau e o feio” da história do século XX. “Sim, o nome evoca uma história feia, e é essa que contaremos. Não se pode apagá-la, é preciso contá-la da maneira correta, garantido que os nossos valores democráticos sejam preservados”, garantiu.  

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