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Mulher saudável recorre a morte medicamente assistida após perda do filho

Débora Calheiros Lourenço 23 de abril de 2026 às 11:47

Marcus morreu aos 23 anos depois de se engasgar com um pedaço de tomate que ficou preso na traqueia, deixando-lhe o cérebro sem oxigénio.

Uma mulher fisicamente saudável decidiu por pôr fim à vida numa clínica suíça, por não aguentar a dor após a perda do seu único filho, há quatro anos.  

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Wendy Duffy está agora a dirigir-se para a Suíça depois de a clínica Pegasos ter aprovado o seu pedido de morte medicamente assistida. A mulher de 56 anos, natural da região de West Midlands, em Inglaterra, já tinha tentado suicidar-se, o que quase a deixou num estado vegetativo.  

Duffy disse ao que pagou 10 mil libras (8.660 euros) à Pagasos e que essa era a única forma de o seu “espírito ser livre”: “Não vou mudar de ideias”. “Podia saltar de uma ponte sobre uma autoestrada ou de um prédio alto, mas quem me encontrasse teria de lidar com isso até ao fim da sua vida”, referiu.  

O filho, Marcus, morreu aos 23 anos depois de se engasgar com um pedaço de tomate que ficou preso na traqueia, deixando-lhe o cérebro sem oxigénio. “Acham que ele deve ter adormecido com comida na boca. Esse é o único consolo, o de que ele não estava em sofrimento”, partilhou a mãe.  

As suas quatro irmãs e dois irmãos estão informados da candidatura de Wendy Duffy à Pagasos e a inglesa referiu que a empresa “entrou em contacto com eles” para explicar o processo: “Vou ligar-lhes quando chegar à Suíça. Será uma chamada difícil, na qual direi adeus e agradecerei. Mas eles entenderão. Eles sabem. Honestamente, 100%, eles sabem que não estou feliz, não quero estar aqui”.  

Duffy referiu também que “é possível escolher a música” que acompanha o procedimento: “Vou partir ao som de Lady Gaga e Bruno Mars a cantar Die With A Smile”.  

O projeto de lei sobre a morte assistida no Reino Unido deu entrada no parlamento há mais de um ano, mas é provável que seja barrado pela Câmara dos Lordes esta sexta-feira. A legislação proposta permitiria que adultos em Inglaterra e no País de Gales com menos de seis meses de vida prevista solicitassem a morte assistida, que ficaria sujeita à aprovação de dois médicos e de um painel de especialistas. Wendy Duffy referiu que “gostava que esta opção estivesse disponível no Reino Unido”.  

Em Portugal a eutanásia foi aprovada em 2023 para casos de sofrimento extremo e doença incurável, no entanto a regulamentação ainda não foi terminada. O anterior presidente, Marcelo rebelo de Sousa, opôs-se à medida durante todo o seu mandato e, das três vezes que foi chamado a pronunciar-se, vetou-o sempre, enviando o documento para o Tribunal Constitucional. Da última vez o tribunal acabou mesmo por inviabilizar o processo de legalização da morte assistida.  

Já na Suíça, o suicídio assistido é legal desde a década de 1940. Neste sistema uma equipa médica fornece os medicamentos para o procedimento, mas é o próprio paciente que administra a dose fatal. O país é considerado um dos mais permissivos ao nível global com uma legislação que não estipula um limite de idade nem condições médicas para a realização do procedimento, é também um dos poucos países onde os estrangeiros podem realizar o procedimento.  

A Associação Pegasos é uma organização sem fins lucrativos sediada em Basileia e fundada por Ruedi Habegger, um ativista pelo direito à morte digna, em 2019. É conhecida ao nível internacional por ser uma das clínicas suíças de morte assistida com critérios menos rigoroso para fazer o procedimento.

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