Silly season?
A União Europeia vai a banhos, mas dificilmente o verão será tempo de acalmia, sobretudo para os principais dirigentes europeus.
A União Europeia vai a banhos, mas dificilmente o verão será tempo de acalmia, sobretudo para os principais dirigentes europeus.
Desde que Donald Trump regressou à Casa Branca, as relações transatlânticas sofrem de uma constante arritmia: ora batem forte; ora batem fraco. Esta semana, na Cimeira da NATO em Ancara, não foi diferente com o presidente americano a dar umas no cravo e outras na ferradura dos seus aliados.
Nesta ordem pluripolar mais fluida e dinâmica, outros intervenientes, para além dos Estados-nação, têm um papel relevante a desempenhar.
O regime teocrático iraniano abanou, mas não quebrou. Agora negoceia quase em pé de igualdade com a autoproclamada superpotência mundial.
No século XXI, se as democracias não conseguem ser mais rápidas a acompanhar acontecimentos e mudanças, então têm de ser mais inteligentes para antecipar e preparar-se para o que pode estar para vir.
A diferença está em saber o que é mais importante para os europeus neste período de instabilidade geopolítica: uma política externa a uma só voz ou, às vezes, sem voz? Ou uma postura internacional mais veloz, mas potencialmente a mais vozes?
O mundo mudou muito desde que a última estratégia de segurança europeia de 2016, que substituiu a de 2003, foi publicada.
Desde o começo da agressão russa à Ucrânia, a Hungria, não obstante ter eventualmente dado apoio aos diversos pacotes de sanções, tem sido o maior obstáculo a qualquer apoio a Kyiv.
O ano de 2026, que só leva 2 meses e uns dias, é já uma eternidade em termos geopolíticos e a UE não parece estar a passar no exame que tem pela frente para se afirmar como um ator global estratégico.
A convergência de fatores externos e internos vai continuar a pressionar os decisores europeus à medida que o crescimento económico continua morno, a erosão de consensos e as pressões sobre os governos se intensificam, a competição por recursos naturais acelera, a crise climática não abranda e os ataques híbridos e a insegurança cibernética passam a ser mais frequentes.
Não sabemos o que nos reserva o bingo geopolítico de 2026. A única certeza é que nos esperam surpresas.
Com a velocidade a que os acontecimentos se sucedem, a UE não pode continuar a adiar escolhas difíceis sobre o seu futuro. A hora dos pró-europeus é agora: ainda estão em maioria e 74% da população europeia acredita que a adesão dos seus países à UE os beneficiou.
Depois do sobressalto inicial, discute-se quem está e quem não está à mesa das negociações e diz-se que sem europeus e ucranianos não se pode decidir nada sobre a Europa ou sobre a Ucrânia.
Os decisores políticos europeus continuam a ser ‘surpreendidos’ por acontecimentos e incerteza. Mais atividade prospetiva na Europa é certamente bem-vinda.
Uma das ideias centrais é dotar Portugal de uma “visão” de futuro e de “agilidade” para fazer face a um mundo em constante mudança e aceleração.
É excelente poder dizer que a UE já aprovou 18 pacotes de sanções e vai a caminho do 19º. Mas não teria sido melhor aprovar, por exemplo, só cinco pacotes muito mais robustos, mais pesados e mais rapidamente do que andar a sancionar às pinguinhas?