Palácio Chiado: condes, bailes e estrelas de Hollywood
Foi palco de festas de um conde, deu origem à expressão “forrobodó” e chegou a funcionar como escola. Há 10 anos passou a restaurante – e o ator Nicolas Cage já se sentou nas suas mesas.
Foi palco de festas de um conde, deu origem à expressão “forrobodó” e chegou a funcionar como escola. Há 10 anos passou a restaurante – e o ator Nicolas Cage já se sentou nas suas mesas.
Ao fim de 28 anos, o Festival Sudoeste está ausente do calendário de Verão: o recinto da Costa Vicentina é agora um deserto. Na edição anterior, teve um prejuízo avultado e o dono da promotora do evento, Música no Coração, precisa de um grande patrocinador para retomá-lo em 2026. Será que vai conseguir? Veja os vídeos.
As canções, os discos, os concertos, os novos festivais, os prémios e as polémicas de um ano inesquecível na música - o mesmo em que a SÁBADO nasceu.
O restaurante ficava perto da Igreja de São Roque, com a promessa de descida ao Cais do Sodré para lavar as vistas com nacionais e estrangeiras, já que era importante que eu não me esquecesse de que "há mais mundo".
As semanas passavam e sentia-me de castigo, à experiência, como se me coubesse conquistar a confiança. Mas sonhava-nos velhos. E ela sorria, afagava-me a mão, brindava-me com um jogo de pés, já se pendurava no braço. Estávamos a evoluir. Só começámos devagar.
A semana passou devagar. E escondi. Escondi o mais que pude. Do "super slim", do convertido, das miúdas, de toda a gente. Escondi para que não me demovessem. Não se pede o conselho que não se quer.
A mala e a minha organização eram o primeiro desconfortável conforto de quem tem demasiado controlo sobre as suas rotinas. Não havia ninguém para me desempoeirar.
De volta ao trânsito, entre a irritação de não me deixarem respirar e a vaidade de me sentir imprescindível. Ia gozá-la um bocadinho.
O café não arrefecia e espreitei o telemóvel: mais um retrato de uma conta qualquer, publicado por uma família despreocupada, sem olhar à perfeição dos cenários, celebrando apenas a alegria da viagem. Atrás, sem filtro, um casal perdia-se num beijo apaixonado.
Adormeci e tomei-me de pesadelos. A desempoeirada, o seu telemóvel, a intimidade que já só surgia a pedido, como se eu fosse um macho de outros tempos a quem devia uns favores para acalmar. Quando o corpo desanima a cabeça acompanha.
De novo o telefone. Fiquei desconfortável por estar a olhar para ela. Decidi pegar no meu. Ainda despachei um pequeno email de trabalho e mandei uma mensagem ao novo grupo.
Agora ela. Triagem. Estava-se mesmo a ver. Mas havia que esperar pelo médico. Encostou-se ao meu ombro num agradecimento. «Ainda bem que viemos». Era a sua forma de reconhecer que a água não é a cura de todos os males.
É impossível não ter inveja do abismo quando se sabe que toda a gente quer ir para ali, mesmo que não o faça, mesmo que não o confesse.
Os médicos iam reservando o prognóstico. Passaram horas sem fim. Até a maldita ex-mulher apareceu. Fui gerindo os desencontros. Mas quem verdadeiramente geria emoções – e, sobretudo, ia-me gerindo – era a desempoeirada.
Há sempre alguém que conhece alguém, ou que passava férias no mesmo sítio, ou que foi amiga da ex-mulher do "não sei quantos" – «Esse tipo não presta…». E as conversas fluíam com o à-vontade que une desconhecidos no recreio da escola, sem o "doutor", "engenheiro" ou "arquiteto" que nos afasta e envelhece.