Aliado do líder do Chega perdeu as eleições legislativas da Hungria realizadas este mês.
O presidente do Chega, André Ventura, admitiu esta quarta-feira que "um certo desgaste de poder" pode ter levado à derrota do seu aliado Viktor Orbán nas eleições legislativas da Hungria em 12 de abril, considerando-a "um acontecimento normal".
André Ventura, líder do ChegaLusa
"É muito difícil que ao fim de 16 anos não haja um certo desgaste de poder. Há em todos os países, há em todas as democracias", disse hoje aos jornalistas, ladeado pelo representante da extrema-direita francesa Jordan Bardella, num evento do grupo europeu Patriotas pela Europa, que decorre até quinta-feira num hotel do Porto.
Questionado pelos jornalistas, André Ventura pronunciou-se sobre a derrota do seu aliado europeu Fidesz, liderado por Viktor Orbán, que liderava o país há 16 anos, e apesar de referir que "em Portugal já houve várias vezes" desgaste face ao poder, lembrou que "nenhum governo durou 16 anos desde o 25 de Abril", mas argumentou que, mesmo assim, o país percebe "o que é o desgaste democrático".
"É importante perceber que haver uma mudança democrática ao fim de 16 anos de exercício de poder é um acontecimento normal numa democracia. Só mostra que era mesmo uma democracia, ao contrário do que muitos dos nossos adversários diziam", argumentou ainda.
Na véspera das eleições húngaras, André Ventura deslocou-se a Budapeste para participar na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), no final de março.
O grupo de extrema-direita do Parlamento Europeu Patriotas pela Europa acusou a Comissão Europeia de interferir nas eleições legislativas da Hungria a favor do partido conservador Tisza, que venceu a votação de 12 de abril.
O Patriotas pela Europa, que inclui também o partido português Chega, manifestou a sua preocupação num comunicado sobre "a interferência da Comissão Europeia nos processos políticos nacionais", que "pode minar a confiança nas instituições europeias e a integridade da tomada de decisões democráticas", considerou.
O grupo, que detém 85 dos 720 lugares no Parlamento Europeu (10 dos quais pertencentes ao húngaro Fidesz, de Viktor Orbán), constituindo a terceira maior força política do hemiciclo, alertou ainda para o "crescente alinhamento com a esquerda", nomeadamente com o Partido Popular Europeu (centro-direita), cujos membros incluem o futuro primeiro-ministro da Hungria, assim como a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Formado em 2024, o Patriotas pela Europa é um grupo político liderado por figuras como o primeiro-ministro cessante húngaro, Viktor Orbán, e a líder da extrema-direita francesa Marine Le Pen, e defende causas como o reforço do controlo de fronteiras, o primado da soberania nacional sobre as diretivas europeias e a proteção das raízes judaico-cristãs.
Durante os seus anos de liderança da Hungria, Orbán entrou em conflito com Bruxelas várias vezes e é um crítico acérrimo da Ucrânia e aliado político da Rússia, mas vai abandonar o poder após 16 anos ininterruptos, na sequência da derrota nas eleições que deram uma "super-maioria" de mais de dois terços dos votos ao partido do líder da oposição, Péter Magyar.
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