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PSP avisa que vai intervir caso tendas montadas no Rossio se mantenham

Polícia ressalva que vai priviligiar o diálogo.

A PSP avisou este sábado que não vai permitir que as tendas dos manifestantes pelo direito à habitação fiquem montadas durante a noite no Rossio, em Lisboa, referindo que vai intervir caso "o acampamento ilegal" se mantenha.

PSP avisa que não vai intervir caso tendas montadas no Rossio se mantenham
PSP avisa que não vai intervir caso tendas montadas no Rossio se mantenham MIGUEL A. LOPES/LUSA

Ressalvando que a PSP vai privilegiar o diálogo, fonte policial disse à Lusa que a polícia vai manter os procedimentos da última semana, não permitindo que as tendas fiquem durante a noite no Rossio.

Numa resposta oficial enviada à Lusa, a Polícia de Segurança Pública refere que vai continuar "a acompanhar e a avaliar a evolução da situação através de uma avaliação dinâmica do risco, privilegiando o diálogo, a comunicação, a sensibilização e a mediação na resolução de eventuais situações".

A PSP sustenta que a Constituição da República Portuguesa e a lei são o "referencial de atuação" da polícia, que orienta a sua intervenção "pelos princípios da legalidade, da proporcionalidade, da adequação e da necessidade".

Após a manifestação em Lisboa, que reuniu milhares de pessoas, os manifestantes pelo direito à habitação começaram ao fim da tarde a montar as tendas no Rossio.

A PSP refere também que, até ao momento, as manifestações, que decorreram em várias cidades do país, têm decorrido dentro da normalidade.

"A PSP respeita e garante o exercício do direito de reunião e de manifestação, constitucionalmente consagrado, sendo, contudo, fundamental que o mesmo decorra de forma pacífica, com respeito pelos direitos dos demais cidadãos, pela ordem e tranquilidade públicas e dentro dos limites e condicionalismos previstos na lei, incluindo os aplicáveis à utilização e ocupação do espaço público", sustenta ainda a polícia.

Milhares de pessoas participaram na manifestação "Não temos casa, montamos tendas!", que partiu do Marquês de Pombal em direção à Praça do Rossio, onde, desde o passado sábado, a Acampada de Lisboa se tem reunido todos os dias, à exceção de sexta-feira, dia em que se concentrou no Bairro do Condado, para exigir medidas para resolver a crise da habitação.

Os protestos pelo direito à habitação realizaram-se hoje também em outras cidades do país, nomeadamente no Porto onde também participaram milhares de pessoas.

Duas semanas após o início, no Porto, os protestos pelo direito à habitação cumprem a promessa de continuar nas ruas até que o Governo deixe cair a nova lei das rendas e adote medidas como o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, a proibição de compra de habitação por parte de fundos imobiliários, o aumento de habitação pública, a aplicação de tetos às rendas e a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais.

Em 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, com uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e em um polícia. Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio ao início da manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz dia 27.

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