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Provedora de Justiça vai elaborar relatório sobre atuação policial contra manifestantes em Lisboa

Pretende ainda formular recomendações destinadas a reforçar as garantias das pessoas detidas e melhorar os procedimentos policiais.

A Provedora de Justiça vai elaborar um relatório com conclusões e recomendações sobre a atuação policial em Lisboa na manifestação pela habitação, após a monitorização realizada pelo Mecanismo Nacional de Prevenção (MNP).

Provedora de Justiça vai elaborar relatório sobre atuação policial contra manifestantes em Lisboa
Provedora de Justiça vai elaborar relatório sobre atuação policial contra manifestantes em Lisboa Miguel Baltazar

Em resposta a questões colocadas pela Lusa, a Provedoria de Justiça esclareceu que a última fase da monitorização ainda não está concluída e prevê a sistematização da informação recolhida, a identificação de riscos e eventuais maus-tratos e a elaboração de um relatório com conclusões e recomendações.

O processo incluirá também o acompanhamento das medidas que venham a ser adotadas na sequência das recomendações da Provedora de Justiça.

Segundo a Provedoria, a presença do MNP no local, no sábado à noite, foi determinada pela Provedora de Justiça, no âmbito das suas competências de prevenção de maus-tratos e de utilização excessiva ou desproporcionada da força policial.

O organismo esclareceu que o mandato do MNP não se limita aos espaços tradicionais de detenção, podendo abranger intervenções policiais na via pública, nomeadamente detenções, imobilizações ou contenções coletivas.

A Provedoria sublinhou que esta intervenção preventiva não depende da apresentação de qualquer pedido e adiantou que os elementos do MNP permaneceram no local até depois das 05:00, "não se tendo registado qualquer incidente pessoal".

A monitorização tem como principais objetivos identificar e prevenir riscos de uso excessivo da força e outros maus-tratos, acompanhar as detenções e a utilização de meios coercivos, bem como avaliar o transporte e a permanência de detidos nas instalações policiais.

Pretende ainda formular recomendações destinadas a reforçar as garantias das pessoas detidas e melhorar os procedimentos policiais.

A Provedoria explicou que a monitorização decorre em várias fases, desde a preparação e observação das intervenções policiais até à análise documental e avaliação dos procedimentos.

Esclareceu também que "o MNP atua segundo princípios de independência, não interferência, confidencialidade e ponderação na análise dos factos".

A última etapa, que permanece em curso, permitirá à Provedora de Justiça avaliar a informação recolhida e apresentar eventuais recomendações às entidades competentes.