Autarquia governada pela AD e Chega pagou 175 mil para festa de inauguração de uma escola e 530 mil por festival "pela paz" que durou uma noite com o padre Guilherme.
No setor da Educação, o mês de setembro foi marcado pelo regresso às aulas, mas também pela inauguração, um pouco por todo o País, de escolas, ou de remodelações de escolas. A secundária de Cascais foi diferente: contou com a presença do presidente da República, do primeiro ministro, do ministro da Educação (mais o seu secretário de Estado), do presidente da câmara e até do cardeal patriarca de Lisboa. Talvez por isso, o executivo da câmara, liderado pela AD em coligação pós-eleitoral com o Chega, decidiu gastar 175 mil euros (valor já com IVA) apenas na inauguração.
O concerto do Padre Guilherme e inauguração da Escola Secundária de CascaisDR
A adjudicação foi ganha pela empresa Vertente Versáril e, segundo o caderno de encargos, os 175 mil euros serviram para a produção de 10 pendões com 3,40 X 6,00m, 15 lonas triangulares para fazer sombra, 70 coxins em tecido de várias cores com enchimento de espuma de alta densidade, 10.000 autocolantes e 20 t-shirts com logo.
E ainda para uma "performance musical com 3 atos (8 minutos cada)", "serviço de DJ para o momento final do evento", seguranças e transportes e montagens das estruturas, além de "produção audiovisual de grande escala, incluindo ledwalls, sistemas de som, iluminação, estruturas e palcos", produção de conteúdos multimédia dedicados (motion intro, countdown, separadores), "realização de um 'countdown' de arranque de cerimónia e "produção de separadores animados de entrada de convidados".
O executivo da câmara de Cascais justificou à SÁBADO que "a construção da Escola Secundária de Cascais representou um investimento superior a 32M€, dos quais 24M€ foram financiados através de fundos do PRR" e que "às intervenções financiadas pelo PRR cujo total seja superior a 10M€, como foi o caso da Escola Secundária de Cascais, é colocada uma obrigatoriedade de criação de atividades de comunicação com relevante impacto mediático".
Foi nesse âmbito, diz a autarquia, "foi considerada verba para a criação dos momentos de comunicação no montante financiado pelo PRR: um open Day dedicado a toda a comunidade escolar e local (antigos e atuais alunos, famílias, professores, corpo não docente e toda a comunidade), assim como uma inauguração oficial". No primeiro momento, "participaram mais de 1000 pessoas", e na inauguração "participaram mais de 600 pessoas"
Da parte da oposição, respondeu ao nosso email o movimento Cascais para Viver, encabeçado pelo vereador João Maria Jonet, que nos referiu que a despesa e o respetivo contrato "não carece de ser aprovado em Reunião de Câmara". "Pelo que não fomos consultados
sobre o mesmo", adianta.
"Infelizmente, PSD-CDS, PS e Chega aprovaram um regimento que só
nos permite ter conhecimento de adjudicações abaixo de 700 mil euros em muito
poucos casos, juntamente com amplos poderes para o Presidente de Câmara que
impedem o escrutínio da sua ação quando é gasto o nosso dinheiro em eventos ou
quando é planeado o nosso urbanismo e território. Acrescentamos que louvamos a iniciativa da Câmara na construção
desta escola, porém, não podemos deixar de manifestar a nossa discordância com
este desbaratar de fundos públicos em fogueteiro auto congratulatório com vista
a atrair o máximo de câmaras de televisão possível", diz o movimento Cascais para Viver.
A inauguração da escola secundária de Cascais deu-se nesta segunda-feira, 21 de setembro, e o custo da festa, embora elevado, não se compara com outro evento ocorrido dois dias antes, o denominado "Cascais Fest – Pela Paz", realizado na praia de Carcavelos apenas num dia, 19 de Setembro.
Segundo a autarquia, o novo festival "une cultura, cidadania e participação em torno do tema 'Pela Paz'": "
No ano em que Cascais é Capital Europeia da Democracia, o evento destaca valores como inclusão, respeito e convivência. O grande nome do cartaz é o Padre Guilherme, o conhecido 'Padre DJ, que ganhou projeção internacional após a sua atuação na Jornada Mundial da Juventude em Lisboa. O festival contará ainda com atuações dos HMB, Gospel Collective e DJ Disi", informou a câmara.
O contrato para organizar este dia "Pela Paz" custou 530 mil euros (valor já com IVA), que foram adjudicados à empresa unipessoal G World, que, como avançou o jornal Página Um., é detida por um apoiante da AD nestas eleições autárquicas.
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