Sábado – Pense por si

Líder da Misericórdia e antigo cacique do PSD processado por se apoderar de bens

Carlos mal conseguia segurar um copo, mas no dia em que chegou do hospital de Beja ao lar da Santa Casa da Misericórdia de Ourique assinou a doação em vida de todos os seus bens à Misericórdia. PJ fala em “esbulho”, família pede justiça. Provedor, que é ex-autarca e ex-deputado do PSD, nega acusações.

Na madrugada do dia em que Carlos Castro e Nunes teve alta do hospital de Beja, nove dias antes de morrer, o médico de turno anotou que o homem de 74 anos estava “desorientado no tempo/espaço/pessoa”. Eram 5h20 da manhã e a observação não surpreendia. Aquele era o segundo internamento com uma infeção respiratória grave, logo a seguir a outro de 10 dias, e na véspera as medições de oxigénio tinham revelado níveis muitíssimo baixos. O hospital deu ainda assim alta a Carlos, que foi transferido de ambulância, incapaz de se mover e com suporte de oxigénio, para o lar da Santa Casa da Misericórdia de Ourique. Nesse mesmo dia terá assinado três documentos, com letra distorcida, nos quais doou em vida todo o seu património a uma instituição com a qual não tivera relação até aí: a Misericórdia de Ourique.

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