O estudo sobre a ligação ferry regular entre a Madeira e o continente aponta ainda um preço médio de 350 euros por veículo pesado por trajeto.
O deputado único do JPP na Assembleia da República, Filipe Sousa, indicou esta sexta-feira ter requerido várias audições parlamentares para escrutinar o estudo económico-financeiro sobre a ligação marítima regular de passageiros e carga entre a Madeira e o continente.
Filipe Sousa, líder do JPPLusa
Em comunicado, o deputado do Juntos Pelo Povo (JPP) diz que o estudo, solicitado pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes, constitui um "contributo relevante", mas considera que apresenta "pressupostos e limitações que têm de ser devidamente esclarecidos antes de servirem de fundamento a qualquer decisão política do Governo da República".
"Entre as principais dúvidas levantadas pelo JPP está a limitação da capacidade considerada no modelo económico a 600 passageiros, 200 veículos ligeiros e apenas 40 veículos pesados por trajeto", refere na nota, observando que este teto "poderá estar a condicionar o potencial económico da carga rodada e a impedir uma avaliação adequada das economias de escala".
O estudo sobre a ligação ferry regular entre a Madeira e o continente aponta ainda um preço médio de 350 euros por veículo pesado por trajeto.
Filipe Sousa diz ser necessário esclarecer o modelo utilizado para calcular os custos da operação, avaliada em 200 milhões de euros, e alerta para a "ausência de contributos de importantes armadores, operadores logísticos e grupos empresariais", entre os quais Grupo ETE, Grimaldi, Baleària, FRS Portugal, Luís Simões, Sonae MC e Jerónimo Martins.
"Não é aceitável concluir primeiro que o ferry não é rentável e perguntar apenas depois se os pressupostos utilizados para chegar a essa conclusão eram os corretos", refere Filipe Sousa, reforçando: "A Madeira não precisa de mais estudos para justificar a distância. Precisa de soluções para a vencer."
O requerimento do JPP solicita a audição da TIS -- Transportes, Inovação e Sistemas, responsável pelo estudo, do ministro das Infraestruturas, dos armadores Grupo ETE, Grimaldi, Baleària e FRS Portugal, dos operadores Luís Simões, Sonae MC e Jerónimo Martins, do Grupo Sousa, que operou a ligação em 2018 e 2019, e do Governo Regional da Madeira (PSD/CDS-PP).
Filipe Sousa sublinha que a discussão "não pode ficar reduzida à rentabilidade comercial de uma rota", argumentando estar em causa a continuidade territorial, a coesão económica e social e o direito dos madeirenses a uma alternativa de transporte.
Na quarta-feira, numa reação ao estudo, o presidente do Governo Regional, o social-democrata Miguel Albuquerque, disse que a ligação ferry entre a Madeira e o continente não é uma prioridade do seu executivo, observando, no entanto, que decisão compete ao Governo da República.
"Eu sempre disse que o ferry ia dar prejuízo, só [é viável] com compensações indemnizatórias", afirmou.
JPP requer audições no parlamento sobre estudo do ferry entre Madeira e continente
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