Viagem Medieval da Feira teve prejuízo de 160 mil euros em 2025 e prevê aumentar preços
A afluência média ronda as 50.000 pessoas em cada um dos 12 dias de recriação.
A vereação socialista da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira disse-se este quarta-feira preocupada com o prejuízo superior a 160.000 euros na edição de 2025 da recriação histórica Viagem Medieval, o que fará aumentar os preços este ano.
O alerta do PS resulta da análise ao relatório de contas dessa autarquia do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto, em concreto à prestação da empresa municipal Feira Viva -- que é a organizadora do evento cuja afluência média ronda as 50.000 pessoas em cada um dos 12 dias de recriação.
"A Viagem Medieval fechou 2025 com um prejuízo de 160.515 euros. Teve menos 11.364 visitantes do que o previsto e custos acima do orçamento. Este prejuízo pode ainda estar subavaliado porque o apoio logístico prestado pelo município ao evento não é contabilizado nestas contas, representando um encargo adicional, de volume elevado, suportado pelos contribuintes de Santa Maria da Feira", declara à Lusa o vereador Márcio Correia.
Para o representante dos socialistas, o défice em causa resulta de "uma política de contenção tarifária sem contrapartida orçamental e de um volume de visitantes abaixo da meta, porque o objetivo era vender 250.000 bilhetes [além das pulseiras de livre-trânsito] e foram transacionados só 238.636".
Márcio Correia reconhece que, na globalidade, o desempenho da Feira Viva foi positivo, com um volume de negócios superior a sete milhões de euros e um superavit de 44.268 euros, mas alerta que a empresa municipal está "excessivamente dependente de apenas dois eventos": mais de 50% da sua faturação resulta apenas da Viagem Medieval e do parque temático natalício Perlim.
"Uma empresa com mais de 10,2 milhões de euros de rendimentos totais e apenas 44.368 euros de resultado líquido final não apresenta folga confortável. Qualquer oscilação moderada em custos energéticos, fornecedores, clima ou procura pode empurrar o resultado para terreno negativo", avisa o vereador.
Questionado pela Lusa, o diretor-geral da Feira Viva, Paulo Sérgio Pais, realça que "a Viagem Medieval é um projeto cultural e estratégico, cujo objetivo vai além do resultado financeiro direto", já que o evento tem "forte impacto no território, dinamizando a economia local, o comércio e a restauração, e gerando anualmente um retorno estimado superior a 20 milhões de euros".
Esse responsável admite que a recriação tem "uma forte dependência da bilheteira" e considera "natural que os resultados possam variar de ano para ano", influenciados por fatores externos tão determinantes como as condições meteorológicas, mas nota que cada edição contempla também um grande número de ofertas, já que todos os anos são disponibilizadas "mais de 20.000 entradas gratuitas a famílias carenciadas, bombeiros e estudantes do concelho". Isso representa, por si só, "um investimento superior a 200.000 euros para reforço da igualdade de acesso e do envolvimento da comunidade".
Nessa perspetiva, Paulo Sérgio Pais garante que o modelo de gestão da Viagem Medieval "mantém-se assente num princípio de equilíbrio e responsabilidade", com o superavit de umas edições a compensar o défice de outras, mas antecipa alterações no tarifário do evento: de 29 de julho a 9 de agosto de 2026 "está previsto um ajustamento médio de cerca de um euro no preço dos bilhetes e pulseiras, refletindo a necessidade de atualização face ao contexto atual".
A Câmara Municipal de Santa Maria da Feira aprovou o seu relatório de contas na segunda-feira, com sete votos favoráveis do PSD, três contras do PS e uma abstenção do Chega. Da análise à sua prestação em 2025, o executivo social-democrata salienta um saldo de 14,1 milhões de euros, um volume de investimento planeado superior a 50 milhões, o aumento de 20% para 40% nas verbas transferidas para as juntas de freguesia, a redução da dívida em mais de 1,5 milhões e o pagamento a fornecedores num prazo médio de seis dias.