Ventura avisa que compromisso de Seguro de não dissolver parlamento em caso de chumbo do OE "tem limites"
Líder do Chega disse que esta posição defendida pelo Presidente da República eleito pode "esbarrar na realidade parlamentar".
O líder do Chega saudou esta segunda-feira o compromisso do Presidente da República de não dissolver o parlamento em caso de chumbo do Orçamento do Estado, mas avisou que esta posição "tem limites" e pode "esbarrar na realidade parlamentar".
Após a tomada de posse do Presidente da República, António José Seguro, na Assembleia da República, o líder do Chega foi interrogado pelos jornalistas sobre o facto de o novo chefe de Estado ter reafirmado que o 'chumbo' de um Orçamento do Estado não implica uma dissolução automática do parlamento.
Ventura -- que perdeu a segunda volta das eleições presidenciais contra Seguro - considerou que este "é um bom princípio" e salientou que defendeu o mesmo durante a campanha eleitoral, mas alertou para "limites".
"Mas isto tem limites, e o limite é quando esse chumbo do orçamento já não é apenas o mero chumbo orçamental, é o símbolo do bloqueio de uma maioria política", avisou.
Nesse cenário, Ventura antecipou que o Presidente da República terá que avaliar, caso a caso, se o que resulta do chumbo do orçamento bloqueia uma maioria política ou é, na verdade, um chumbo, digamos assim, circunstancial que, com negociação, pode ser melhorado".
"O princípio é bom, é o princípio que devemos manter, mas esbarra na realidade parlamentar muitas vezes, quando o que está a acontecer já é o fim de uma maioria ou é a criação de uma nova maioria e o Presidente não pode ser alheio a isso, por muito que queira", sustentou.
Ainda assim, Ventura sublinhou que "lutar pela estabilidade e procurar garantir essa estabilidade" é "muito positivo" e "um bom princípio para a democracia portuguesa".
O líder do Chega considerou que, na tomada de posse, Seguro fez um discurso "equilibrado, não confrontacional, nem com o seu adversário, nem com o partido que representa o seu adversário" e disse existirem "condições políticas para trabalhar em prol das reformas do país".
André Ventura desejou um "mandato positivo" ao novo chefe de Estado e considerou que "a sorte e a eficácia de António José Seguro será a eficácia de Portugal".
O líder do Chega garantiu ainda que trabalhará "em conjunto ao longo das próximas semanas e dos próximos meses para assegurar a estabilidade mínima possível para que quer o Governo, quer o parlamento e também a Presidência da República possam alcançar os objetivos".
"E tive a oportunidade de deixar também o meu compromisso que tudo farei, dentro daquilo que é a razoabilidade política e o equilíbrio político, para dar ao país essa estabilidade, que haja condições políticas subjacentes, estáveis, para que enfrentemos esses desafios de forma segura", acrescentou.
Apesar de reconhecer que o Chega discorda "em quase tudo ou em grande parte das posições" do Presidente, Ventura salientou que Seguro venceu e foi eleito, salientando que continuará a fazer o seu "escrutínio político" das posições do chefe de Estado.
Ventura saudou ainda Seguro por ter voltado a afirmar a sua intenção de alcançar uma base para uma reforma para a saúde.
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