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Tudo o que se sabe sobre o caso do gabinete de André Ventura

Diogo Barreto 28 de julho de 2026 às 21:30

Alerta foi dado pela empregada das limpezas pelas 7h. Vídeo divulgado pelo partido mostra documentos pelo chão e uma cadeira tombada. PJ já está a investigar.

André Ventura mostrou esta manhã imagens do seu gabinete na Assembleia da República virado de pantanas. Documentos espalhados no chão, uma cadeira tombada, armários abertos com descuido e até uma imagem de uma Nossa Senhora de Fátima no chão. Denunciando esta situação aos jornalistas, o líder do Chega ligou o alegado assalto à sua declaração de que tinha documentos relevantes sobre o atual ministro da Administração Interna, Luís Neves, em sua posse. Garantiu que foram esses documentos que foram roubados da sua sala durante a noite desta segunda-feira, madrugada de terça-feira.

André Ventura denuncia roubo de 'pastas que se referiam à CPI ao doutor Luís Neves'

 “Um dos lotes de documentos que desapareceram estava numa das pastas logo em cima da primeira mesa e referiam-se à comissão de inquérito ao dr. Luís Neves", disse o deputado. Outro lote continha “informação política relacionada com o gabinete do primeiro-ministro e já tinha mais de um ano”. Terá ainda sido levado uma pen com documentos sensíveis, denunciou ao início da tarde.

André Ventura acrescentou ainda as portas do gabinete ficam por hábito abertas, "até porque há segurança policial em permanência". "É aqui, no Parlamento, que temos de sentir que estamos em segurança. Se os documentos não podem estar em segurança no Parlamento, onde poderão estar?", questionou, explicando que não há câmaras de videovigilância naquela zona.

O líder do partido não tem dúvidas de que se tratou de "um ataque ao Chega e à posição que o partido tem tido de defesa da democracia". "Quando é assim, temos de dizer que não obstante causarem-nos dificuldades, vamos continuar. Espero que os documentos que possam reaparecer."

Ainda durante a conferência de imprensa referiu que tem por hábito deixar a sua sala sem estar trancada à chave. Esta manhã, por volta das 7h, uma das empregadas da limpeza que iria arrumar as salas do Chega deu o alerta para o serviço de segurança da GNR da Assembleia da República por estar no estado que mostra o vídeo abaixo. 

Depois foi a vez do deputado do Chega Francisco Gomes chegar à sala e partilhar um vídeo nas redes sociais a mostrar o rasto de desarrumação. Segundo apurou a SIC Notícias, as imagens de videovigilância do Parlamento que mostram o deputado do Chega Francisco Gomes a entrar na Assembleia da República (AR) pelas sete da manhã. Questionado pelas autoridades, o deputado justificou a entrada na AR com a gravação de um vídeo para o TikTok (que foi gravado noutra sala). 

Chegada ao local, a GNR isolou a área do gabinete e contactou a Polícia Judiciária para enviar uma equipa que esteve durante a manhã a investigar o local e a ouvir funcionários e deputados. 

As reações foram rápidas. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou que o caso é "inconcebível numa democracia madura" e defendeu um trabalho de investigação "rápido e conclusivo" por se tratar de um órgão de soberania.

A líder da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, afirmou estar preocupada com o sucedido, defendendo que "tem de haver uma confiança na inviolabilidade dos espaços" do Parlamento e que o incidente deve ser investigado até "ao mais pequeno detalhe para se conseguir perceber as causas, a origem e fazer as correcções que sejam necessárias fazer".

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