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Sindicato do INEM alerta para "redução grave da capacidade de resposta da emergência médica"

Lusa 09 de maio de 2026 às 15:01

Conselho de Ministros aprovou quatro diplomas na área da saúde, nomeadamente a nova lei orgânica do Instituto Nacional de Emergência Médica e os novos regimes de trabalho para médicos tarefeiros e de horas extraordinárias nas urgências.

O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar alertou este sábado para "os riscos imediatos" da nova lei orgânica do INEM, considerando que poderá traduzir-se numa "redução grave da capacidade de resposta da emergência médica" no país.

Inem xx Lusa

"O sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) manifesta profunda preocupação perante a interpretação que, até ao momento, é possível fazer da nova lei orgânica do INEM, conjugada com os despachos publicados esta semana", refere aquele sindicato, em comunicado, sublinhando que "poderá representar um sério retrocesso na prestação de cuidados de emergência médica em Portugal, com impacto direto na segurança e na qualidade da resposta prestada às populações".

Na quinta-feira, o Conselho de Ministros aprovou quatro diplomas na área da saúde, nomeadamente a nova lei orgânica do Instituto Nacional de Emergência Médica e os novos regimes de trabalho para médicos tarefeiros e de horas extraordinárias nas urgências.

Para o STEPH, em causa estará a afetação das cerca de 54 Ambulâncias de Emergência Médica (AEM) do INEM --- atualmente tripuladas por aproximadamente 550 técnicos de emergência pré-hospitalar --- sobretudo ao transporte inter-hospitalar de doentes, "deixando estes meios de assegurar, prioritariamente, o socorro de emergência às populações".

"Esta alteração suscita preocupações muito sérias, desde logo porque não existem, atualmente, alternativas equivalentes no sistema, nem em quantidade nem em qualidade", refere o sindicado, sublinhando que muitas regiões do país "já enfrentam tempos de resposta superiores aos padrões internacionalmente recomendados" e "a retirada destes meios agravará inevitavelmente as assimetrias existentes, deixando vastas zonas do território nacional ainda mais desprotegidas".

O STEPH acrescenta que os parceiros do sistema de emergência em diversas regiões, nomeadamente os bombeiros voluntários, "já operam no limite da sua capacidade de resposta".

O sindicato recorda que os técnicos de emergência pré-hospitalar são "os únicos profissionais do sistema, além de médicos e enfermeiros, habilitados a administrar medicação de emergência por delegação médica e a realizar eletrocardiogramas de 12 derivações em situações de suspeita de enfarte agudo do miocárdio".

"Embora reconhecendo e respeitando profundamente o papel dos bombeiros no sistema de socorro, importa salientar que a replicação destas competências em outros meios exige processos formativos altamente especializados, prolongados e exigentes, bem como a implementação de circuitos de medicamento rigorosos, envolvendo farmacêuticos e estruturas formalmente constituídas, por forma a garantir a segurança dos profissionais e dos utentes", precisa.

Aquela estrutura sindical salienta que os técnicos do INEM aguardam "com elevada preocupação a publicação da versão final da nova lei orgânica" e alerta "desde já para os riscos imediatos desta alteração, que poderá traduzir-se numa redução efetiva da capacidade operacional e da qualidade da emergência médica pré-hospitalar em Portugal".

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