Seguro insiste em autonomia da UE na defesa sem "lógica de subjugação" aos EUA
António José Seguro prefere uma lógica de "cooperação" com os EUA e que a União Europeia opte por "comprar europeu", complementando meios entre os Estados-membros.
O Presidente da República insistiu esta quinta-feira na necessidade de autonomia estratégica da União Europeia em matéria de defesa e na opção por "comprar europeu", mantendo os Estados Unidos da América como aliados, mas sem uma "lógica de subjugação".
"Uma das áreas onde precisamos de ganhar autonomia estratégica é na área da defesa. Nós não podemos ficar dependentes de países terceiros, neste caso, concretamente, os Estados Unidos [da América], para defender o nosso território e as pessoas", declarou António José Seguro aos jornalistas, em Roma, no fim de um encontro com o Presidente de Itália, Sergio Mattarella.
Logo a seguir, acrescentou: "Essa autonomia estratégica não significa que tenhamos de cortar nenhuma aliança, bem pelo contrário, nós devemos reforçar as alianças, mas devemos fazê-la numa lógica de cooperação entre aliados, e não numa lógica de subjugação. Aliados, cooperação, diálogo é importante, mas a Europa tem de fazer por si".
Segundo o Presidente da República e comandante supremo das Forças Armadas, a União Europeia deve optar por "comprar europeu, comprar melhor, ter economias de escala do ponto de vista da defesa", com "meios que sejam complementares" entre os 27 Estados-membros.
"Nós precisamos, no fundo, de ter um pilar europeu da nossa defesa que seja capaz de ter uma escala maior. Cada exército não precisa de ter o seu carro de combate, o seu submarino, o seu helicóptero, e mesmo em termos de operação em teatros, digamos, de guerra - que espero que não venham a acontecer - nós temos a ganhar em ter meios que sejam complementares", argumentou.
Questionado se há alguma diferença de pensamento em relação ao Governo nesta matéria, incluindo quanto à possibilidade de Portugal vir a comprar caças norte-americanos, António José Seguro respondeu: "Não se trata de nenhuma diferença de pensamento. O Governo português, que é quem conduz a política de defesa, está a desenvolver as diligências que considera adequadas para a defesa do interesse nacional".