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SEF reclama mais inspectores para combate ao tráfico de pessoas

27 de abril de 2018 às 13:10

Segundo o Grupo de Peritos em Acção contra o Tráfico de Seres Humanos, Portugal é um dos países com mais desaparecimentos de crianças e onde o tráfico de pessoas mais tem crescido.

O presidente do Sindicato da Carreira e Investigação e Fiscalização do SEF disse esta sexta-feira que não há recursos humanos suficientes para investigar o tráfico de seres humanos e apelou para a denúncia deste "crime hediondo".

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SEF aeroporto
Foto: Vítor Mota

Falando na abertura do XXI congresso do sindicato, em Lisboa, dedicado ao tráfico de seres humanos, Acácio Pereira classificou o crime como "um terrível flagelo global", e alertou para a necessidade de mais inspectores para o combater e uma mudança de mentalidade, já que é "um crime silenciado".

"É um dever social denunciar o tráfico de seres humanos", disse o inspector, alertando para o facto de Portugal ser uma "placa giratória" para o tráfico de crianças e adolescentes africanas para exploração e escravatura laboral e sexual na França e em Alemanha.

Segundo o Grupo de Peritos em Acção contra o Tráfico de Seres Humanos (GRETA), Portugal é um dos países com mais desaparecimentos de crianças e onde o tráfico de pessoas mais tem crescido.

O relatório indica que é também um dos países em que a exploração laboral supera o tráfico sexual.

Os meios humanos do SEF não são suficientes para as suas multitarefas e é necessário reforçá-los, referiu Acádio Pereira, acrescentando que o serviço está condicionado nomeadamente na investigação criminal e controlo de fronteiras.

Apesar de criticar a falta de recursos humanos no SEF, o sindicalista reconheceu que, "pela primeira vez em muitos anos", há, da parte do ministro da Administração Interna "uma visão estratégica para o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras", esperando que "essa visão seja passada das palavras aos actos".

Em 2017/18 tomaram posse 90 novos inspectores, estão em fase de preparação mais 45 e foi aberto em concurso externo para mais cem.

No entanto, "face ao crescimento da actividade do SEF, estes números não são suficientes", criticou.

O ministro da Administração Interna, na abertura do congresso, reconheceu o trabalho realizado pelo SEF, lembrou que entraram 130 novos inspectores e que o serviço terá "o maior reforço de meios humanos entre 2017/19", em termos comparativos.

Eduardo Cabrita recordou o desbloqueamento de carreiras, "que beneficiará 90% dos inspectores", e falou das cerca de 800 acções de fiscalização do SEF realizadas no primeiro trimestre.

O ministro salientou ainda que Portugal necessita de migrantes para a competitividade da sua economia.

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