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Reclusos que provocaram distúrbios em prisão de Lisboa fechados na cela o dia todo

11 de fevereiro de 2018 às 16:48

Grupo de intervenção policial dos serviços prisionais, com cerca de 20 elementos, está de prevenção no Estabelecimento Prisional de Monsanto.

Os mais de 200 reclusos que provocaram distúrbios no Estabelecimento Prisional de Lisboa este sábado estão fechados nas celas e o grupo de intervenção policial dos serviços prisionais está de prevenção em Monsanto. A notícia foi confirmada pelo presidente do Sindicato Independente do Corpo da Guarda Prisional (SINCGP), Júlio Rebelo, à Lusa.

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Foto: Alexandre Azevedo / Sábado
Foto: Alexandre Azevedo / Sábado
Foto: Alexandre Azevedo / Sábado

Rebelo adiantou que a situação continua instável no Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL) com os mais de 200 reclusos da ala E fechados na cela o dia todo, sem sair para comer as refeições. O presidente sindical disse também que o grupo de intervenção policial dos serviços prisionais, com cerca de 20 elementos, está de prevenção no Estabelecimento Prisional de Monsanto.

O dirigente do SINCGP considerou os incidentes de sábado no EPL de "muito graves" que levantaram "problemas de segurança", apesar de não ter chegado a ser um motim.

Após terem visto a hora da visita encurtada para meia hora no sábado, os reclusos da ala E partiram caixotes do lixo, deitaram a comida para o chão, vandalizaram o refeitório à hora de jantar, tendo sido necessário chamar à cadeia o grupo de intervenção policial dos serviços prisionais.

Júlio Rebelo disse que alguns reclusos chegaram a incendiar caixotes do lixo.

Em declarações à agência Lusa, o director-geral dos Serviços Prisionais afirmou que o abandono do posto por vários guardas do EPL provocou "alguma gritaria" entre os reclusos, "mas não passou disso", referindo que o grupo de intervenção policial dos serviços prisionais foi chamado à prisão, como "faz parte dos procedimentos, mas nem sequer actuou".

Celso Manata disse que "houve um conjunto de guardas que às quatro horas da tarde abandonaram o serviço ilegalmente", o que provocou "dificuldade em manter os horários normais" nas visitas, refeições e medicação.

O presidente do Sindicato Independente do Corpo da Guarda Prisional refutou estas declarações de Celso Manata, sublinhando que os guardas prisionais "não abandonaram" o serviço, uma vez que o seu horário terminava às 16h. "Com o novo horário imposto, o director-geral quer obrigar os guardas prisionais a trabalhar mais duas horas", disse.

Celso Manata indicou que o novo horário por turnos de oito horas, que começou em Janeiro deste ano em seis estabelecimentos prisionais "tem estado a funcionar bem em todo lado, menos em Lisboa", devendo os guardas que saem às 16h sair às 19h.

Também o presidente do Sindicato Nacional do Corpo dos Guardas Prisionais, Jorge Alves, disse no sábado à Lusa que o EPL se debate com falta de efectivos da guarda prisional, o que tem levado a que serviços, como as consultas médicas, sejam sistematicamente adiados.

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