Milhares de pessoas na Praça D. João I aguardam a assembleia popular
As tendas, os tapetes e as mantas que no sábado estavam arrumadas e guardadas por secções desapareceram e não estão visíveis.
A Praça D. João I, no Porto, voltou esta tarde a encher-se com populares, que ao som de músicas de resistência espanhola e brasileira a ecoarem de colunas, aguardavam pelo início da assembleia popular agendada para esta noite.
Pelas 18h30, a agência Lusa constatou no local milhares de pessoas concentradas na Praça D. João I, onde esta madrugada voltaram a repetir-se episódios de violência contra os manifestantes.
As tendas, os tapetes e as mantas que no sábado estavam arrumadas e guardadas por secções desapareceram e não estão visíveis.
Na rede social Instagram, na página "Acampada Porto", pode ler-se no mural que "o fascismo acordou, mas a resistência também" ou "Mais uma vez perdemos tudo o que tínhamos construído, todos os nossos bens materiais, pessoais e comunitários, mas não perdemos a esperança. O sangue dos nossos camaradas não será em vão. Voltaremos".
A PSP dispersou hoje de madrugada, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.
A polícia interveio depois de os manifestantes não terem acatado as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.
Segundo a PSP, registaram-se, no total, 33 manifestantes feridos, 27 dos quais em Lisboa e seis no Porto.
Em comunicado, a Acampada de Lisboa refere dezenas de feridos, 37 dos quais no Porto.
A Amnistia Internacional -- Portugal disse hoje estar "profundamente preocupada com o uso excessivo e desproporcionado" da força policial para dispersar as acampadas de Lisboa e Porto que aconteceram durante a madrugada.
"Estamos profundamente preocupados com o facto de o uso da força pela polícia ter sido excessivo e indiscriminado e de a operação policial - e, em especial, o uso excessivo e desproporcionado de bastões e outro equipamento por parte da polícia - ter resultado em dezenas de feridos", afirmou o diretor executivo da Amnistia Internacional -- Portugal, João Godinho Martins.