Migrações: Polícia Marítima e Marinha reforçam controlo da fronteira no Algarve
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, rejeitou, na sexta-feira, a suspensão das regras do espaço Schengen na sequência da crise migratória em Ceuta, defendendo antes um reforço da vigilância nas fronteiras marítima e terrestre do sul de Portugal.
A Polícia Marítima e a Marinha estão a reforçar o controlo da fronteira marítima, através de patrulhas diárias, por mar e terra, ao longo da orla costeira do Algarve, após a entrada de migrantes, vindos de Marrocos, em Ceuta.
"A Polícia Marítima e a Marinha Portuguesa, em cooperação com a Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras (UCCF) da GNR, encontram-se a reforçar o controlo da fronteira marítima, através de patrulhas regulares e diárias, realizadas por mar e por terra, ao longo da orla costeira do Algarve", anunciou este sábado a Marinha, em comunicado.
Estas ações têm em vista detetar embarcações que possam estar ligadas a fenómenos de migração irregular ou outras atividades ilícitas.
A Polícia Marítima e a Marinha pediram ainda à população que todas as movimentações suspeitas sejam comunicadas ao Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo de Lisboa ou ao Comando Local da Polícia Marítima da respetiva área.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, rejeitou, na sexta-feira, a suspensão das regras do espaço Schengen na sequência da crise migratória em Ceuta, defendendo antes um reforço da vigilância nas fronteiras marítima e terrestre do sul de Portugal.
À margem da cerimónia dos 120 anos da Associação Comercial e Industrial de Vila do Conde, distrito do Porto, o chefe do Governo português considerou que a prioridade passa por reforçar os mecanismos de controlo das regras previstas no Pacto Europeu para as Migrações e Asilo, afastando medidas mais drásticas como as defendidas por alguns governos europeus.
A cidade autónoma espanhola de Ceuta, situada no norte de África, registou desde quinta-feira uma entrada em massa de migrantes vindos de Marrocos, que as autoridades locais estimaram em cerca de 60.000 pessoas, acima das cerca de 50.000 entradas contabilizadas pelo Governo de Madrid.
Pelo menos 48.300 migrantes regressaram, entretanto, voluntariamente a Marrocos até às 18:00 locais de sexta-feira (17:00 em Lisboa), segundo o Ministério da Administração Interna espanhol.
Pelo menos 57 pessoas morreram desde quinta-feira a tentar chegar a Ceuta a nado, segundo o mais recente balanço das autoridades.
Ceuta, um pequeno território de 80.000 habitantes situado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla.