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Mário Machado transferido para a cadeia de Paços de Ferreira

Lusa 30 de janeiro de 2026 às 13:04

O neonazi está "fechado 22 horas por dia numa cela de oito metros quadrados", afirma o advogado.

O alegado líder do grupo neonazi 1143 Mário Machado foi transferido para a prisão de alta segurança de Paços de Ferreira, avançou esta sexta-feira à Lusa o seu advogado, acrescentando que vai recorrer da decisão.
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Segundo José Manuel Castro, a transferência da prisão de Alcoentre, que também é de alta segurança, para Paços de Ferreira aconteceu na quinta-feira, estando agora Mário Machado "fechado 22 horas por dia numa cela de oito metros quadrados". Perante a decisão de transferir Mário Machado, que se encontra a cumprir uma pena de prisão de quatro anos - resultante de duas condenações relacionadas com os crimes de discriminação e incitamento ao ódio e violência -, o advogado José Manuel Castro adiantou ainda que vai recorrer para o Tribunal de Execução de Penas. Questionada pela Lusa, a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) adiantou que "não faz partilha pública dos motivos e procedimentos respeitantes a afetação de reclusos, nem presta informações sobre cidadãos". A transferência de Mário Machado acontece depois de a Polícia Judiciária, no dia 20 de janeiro, ter feito buscas na sua cela, ainda na cadeia de Alcoentre, no âmbito de uma operação que desmantelou o Grupo 1143 e que resultou na detenção de 37 suspeitos.
Na altura, a diretora da Unidade Nacional Contraterrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária (PJ), Patrícia Silveira, referiu que foram apreendidos na cela de Mário Machado "elementos relevantes para a investigação". No despacho de indiciação dos 37 detidos, a que a Lusa teve acesso, o Ministério Público sustenta que, em novembro passado, o presumível líder do grupo, Mário Machado, terá gizado um plano para a realização, em 2026, de duas grandes ações com o objetivo de provocar reações negativas ou violentas por parte da comunidade muçulmana residente em Portugal. A primeira estaria prevista para fevereiro e passaria pela divulgação junto da Comunicação Social e na rede social X de um vídeo com uma tarja, apreendida na terça-feira pela PJ, a acusar Maomé, figura sagrada do Islão, de ser pedófilo. A segunda consistiria na exibição, numa manifestação em Coimbra no 10 de Junho (Dia de Portugal), de uma bandeira com uma imagem do profeta com um turbante e uma bomba. No despacho, são ainda enumeradas cerca de uma dezena de ações destinadas a difundir ideologia de extrema-direita desenvolvidas pelo 1143 desde fevereiro de 2024 nas redes sociais e na rua contra, sobretudo, imigrantes muçulmanos, incluindo manifestações e uma situação de agressões a dois cidadãos indianos numa área de serviço de Aveiras, na Autoestrada 1 (A1), em 05 de outubro de 2025.
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