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Máquinas não podem trabalhar em deslizamento de terras na Costa da Caparica. A polémica entre a Câmara e Governo

Tomás Guerreiro 11 de fevereiro de 2026 às 12:47

Governo mobilizou meios que não podem atuar na remoção ou limpeza do deslizamento de terras causado pela tempestade na Costa da Caparica.

Trinta e cinco pessoas foram retiradas de edifícios na Rua de Damão, na Costa da Caparica, depois de um deslizamento de terras que ocorreu a 7 de fevereiro. O Exército Português, que realizou um reconhecimento técnico no local a 9 de fevereiro, concluiu que o solo está totalmente saturado e instável, impedindo a utilização de máquinas pesadas por alto risco de atolamento e novos deslizamentos.
Derrocada obriga à retirada de 35 pessoas na Costa da Caparica. CMTV
“O terreno encontra-se saturado devido às chuvas intensas, e qualquer intervenção com equipamento pesado seria extremamente perigosa, podendo provocar novos deslizamentos”, indica o relatório da Direção de Infraestruturas do Comando da Logística do Exército. Até à melhoria das condições meteorológicas, as operações no local têm-se limitado à abertura de valas para desvio e drenagem de águas pluviais e à remoção manual de lama do interior das habitações. O muro de contenção existente, apesar de deformado, conseguiu conter o impacto principal do deslizamento, evitando danos estruturais graves nos edifícios. “O muro evitou que a situação se tornasse ainda mais grave. Mesmo assim, o risco permanece elevado enquanto o terreno não secar e se estabilizar”, acrescenta o relatório militar. O episódio assumiu também uma dimensão política. A presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros (PS), enviou uma carta ao Governo acusando o Executivo de ter mobilizado o Exército e o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) apenas para a freguesia do PSD, sem qualquer coordenação com a Câmara ou com a Proteção Civil municipal e sub-regional.
“Outras zonas do concelho enfrentam riscos iguais ou até maiores, mas não receberam atenção das autoridades. Esta falta de articulação contraria os procedimentos do Sistema Integrado de Operações de Proteção e Socorro”, declarou Medeiros. A autarca sublinhou ainda que a avaliação técnica do Exército e do LNEC confirma que não são possíveis medidas estruturais imediatas enquanto o solo se mantiver instável, reforçando que a solução adotada pela autarquia até agora é adequada. Segundo a Câmara, a retirada preventiva de moradores ocorreu como medida de precaução, sem registo de feridos, e inclui trinta e cinco pessoas de três edifícios afetados. “A prioridade é proteger a população. Mesmo com a chuva a dar alguma trégua, a instabilidade do terreno exige cautela máxima”, explicou Inês de Medeiros. O relatório militar conclui que qualquer intervenção estrutural com maquinaria pesada só poderá ocorrer quando o terreno estiver drenado e seguro, recomendando que o acompanhamento das áreas afetadas continue em estreita articulação com a Câmara Municipal. Inês de Medeiros solicitou ainda que as equipas técnicas mantenham o seu trabalho em todas as zonas fragilizadas do concelho, e não apenas na Costa da Caparica. Enquanto o terreno não estabiliza, as medidas em curso incluem a limpeza manual de lama, monitorização contínua da encosta e manutenção das valas de drenagem, consideradas essenciais para impedir novos deslizamentos.
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