Irão: Portugal "está protegido da crise de abastecimento" de energia
Mais de 80% da eletricidade em Portugal tem origem nas energias renováveis. Quanto ao gás e petróleo, o pais tem vários fornecedores fora da zona do conflito.
A ministra do Ambiente disse esta sexta-feira que Portugal "está relativamente protegido da crise de abastecimento" de energia, após ser questionada sobre os alertas deixados pelo Fundo Monetário Internacional sobre as consequências da guerra no Médio Oriente.
"Portugal está relativamente protegido da crise, não da crise dos preços, porque essas são globais, o preço é global, mas da crise de abastecimento", afirmou aos jornalistas a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, na sede do Governo, no Campus XXI, em Lisboa. A ministra falava à margem do lançamento do Sistema de Depósito e Reembolso para embalagens de bebida, que devolve 10 cêntimos aos consumidores.
Na quinta-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que as consequências da guerra no Médio Oriente representam um risco sério para a economia internacional, que enfrenta um choque de oferta "amplo, global e assimétrico".
A ministra do ambiente considerou esta sexta-feira que do ponto de vista de eletricidade, mais de 80% é renovável, evitando que o gás condicione o preço da eletricidade. "Mais de 80% é renovável, o que nos protege muito e faz uma barreira para que raramente seja o gás a ditar o preço da eletricidade", disse Maria da Graça Carvalho. Em relação ao fornecimento de gás e de petróleo, a ministra disse que Portugal tem vários fornecedores fora da zona do conflito, dando o exemplo de países como: Estados Unidos, Brasil, Nigéria e a Argélia.
Maria da Graça Carvalho referiu que a Península Ibérica tem muitos pontos de entrada de portos com capacidade para o gás natural, "o que leva a uma também maior capacidade de resistir à crise de abastecimento", ao contrário de outros países da Europa, dando o exemplo da Itália que dependia muito do gás do Qatar, no Médio Oriente. "Temos reservas e temos uma refinaria que trabalha bem", acrescentou Maria da Graça Carvalho.
Em relação aos impostos sobre os lucros extraordinários das energéticas, um pedido do ministro das Finanças português, Joaquim Miranda Sarmento, e dos seus homólogos da Alemanha, Espanha, Itália e Áustria para criação, ao nível da União Europeia (UE), a ministra do ambiente disse que o Governo irá aguardar a decisão da União Europeia.
"Será uma medida que vai ser tomada a nível europeu, portanto vamos aguardar para saber a decisão da União Europeia. Vamos também aguardar a evolução da situação internacional", disse Maria da Graça Carvalho, indicando que há um Conselho Europeu nos dias 23 e 24 de abril.
A 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva militar contra o Irão, justificando o ataque militar com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
Em retaliação, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz - uma via marítima fundamental para o mercado petrolífero - e lançou ataques contra Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. A situação provocou um aumento dos preços do petróleo e de outras matérias-primas.
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