"Fomos felizes e sabíamos", declara Marcelo sobre dois anos com Montenegro
O Presidente da República recordou a frase "éramos felizes e não sabíamos" que usou sobre o período de mais de oito anos em que coabitou com o anterior primeiro-ministro, António Costa, do PS.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, declarou esta quinta-feira sobre os dois anos de coabitação com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, que foram felizes e sabiam, referindo que em termos estratégicos concordaram no essencial.
Marcelo Rebelo de Sousa falava com Luís Montenegro ao seu lado, numa conversa em registo informal com os jornalistas, na residência oficial de São Bento, em Lisboa, depois de ter presidido a uma reunião do Conselho de Ministros.
O Presidente da República recordou a frase "éramos felizes e não sabíamos" que usou sobre o período de mais de oito anos em que coabitou com o anterior primeiro-ministro, António Costa, do PS.
"Aqui, eu definiria: fomos felizes e sabíamos", contrapôs, sobre a sua convivência com o chefe do Governo PSD/CDS-PP, considerando que "são duas situações complementares, ambas gratificantes".
Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, "foram dois anos muito intensos" com "uma cooperação institucional permanente, sem problemas" e, mais do que isso, "uma cooperação estratégica", em que estiveram "de acordo quanto ao essencial das estratégias, externas, internas".
"É verdade é que esta era facilitada pelo facto de eu conhecer o senhor primeiro-ministro há muitas décadas, ter acompanhado o início da sua vida política partidária e autárquica. Já lá vão sei lá já nem sei quantos anos, talvez três décadas", comentou.
"Portanto, foi uma tripla cooperação institucional, estratégica e pessoal, e que decorreu num período muito difícil no mundo", resumiu.
Sobre Luís Montenegro, acrescentou: "O senhor primeiro-ministro é muito rápido, é muito intuitivo, gosta de antecipar o tempo político. Outras vezes gosta de fazer esperar politicamente a comunicação social, gosta do efeito surpresa, e gere isso de uma forma que a comunicação social não pode prever, não pode antecipar".
As declarações do Presidente da República e do primeiro-ministro e respostas a perguntas dos jornalistas duraram cerca de uma hora.
Marcelo Rebelo de Sousa salientou, na sua primeira intervenção, a situação internacional "muito complicada" que Luís Montenegro encontrou como primeiro-ministro e que se mantém neste final do seu segundo mandato presidencial.
"Nenhum de nós sabe medir quais [as consequências], porque nenhum de nós sabe medir qual a duração da crise, qual a gravidade da crise e quais os efeitos na vida de todos, em todo o mundo", advertiu.
Na sua opinião, "hoje é muito mais difícil ser-se governo do que era há 45 anos", pela "velocidade a que decorrem as crises, os problemas que colocam as crises" e porque os cidadãos "são mais impacientes, são mais reivindicativos, são mais exigentes".
"Por isso, tem um mérito que eu sei compreender a dedicação do senhor primeiro-ministro, dos ministros, dos secretários de Estado, destes governos", elogiou.
O Presidente da República retomou a ideia de que passados 50 anos do 25 de Abril se fechou um ciclo na democracia portuguesa e apontou o atual primeiro-ministro como "um dos novos protagonistas" de um novo ciclo.
"Teremos, a partir de segunda-feira, um novo e importante protagonista também, o senhor Presidente da República Portuguesa, empossado [António José Seguro]", acrescentou.