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Ex-dirigentes do Chega tinham propaganda do 1143 em casa. Um tinha até um taco de basebol

Diogo Barreto 23 de janeiro de 2026 às 16:16

Rui Roque propôs numa convenção nacional do Chega retirar os ovários a mulheres que abortassem. João Peixoto foi candidato a uma autarquia em Guimarães. Ambos militavam no Chega e no 1143.

O ex-dirigente do Chega do Algarve Rui Roque foi detido no âmbito da Operação Irmandade, esta terça-feira, 20 de janeiro. O líder do núcleo de Faro do Grupo 1143 tinha em casa um taco de basebol de madeira além de diverso material de propaganda do Chega e do extinto Ergue-te. Havia também variada propaganda nazi referente ao grupo ultra nacionalista que foi alvo de buscas da Polícia Judiciária (PJ). João Peixoto, ex-candidato do Chega a uma junta de freguesia de Guimarães, e a mulher, Rita Castro, também militante do Chega, tinham centenas de objetos de propaganda do grupo extremista em casa. estão indiciados por crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência ou ofensas corporais qualificadas contra imigrantes.
PJ Lusa
Refere o auto de inquérito que no hall de entrada da sua casa "por detrás da porta de entrada" foi encontrado um "taco de basebol, em madeira, de 32 polegadas". Outros membros do grupo 1143 tinham também tacos guardados em casa, mas a PJ não apreendeu qualquer luva ou bola da modalidade, acreditando que se tratavam de objetos que serviriam de armas.  tornou-se conhecido dentro do Chega ao propor, numa Convenção Nacional do partido Chega, a retirada de ovários às mulheres que abortassem por qualquer motivo que não sejam de perigo imediato para a sua saúde. A proposta foi chumbada por larga maioria, 59 votos a favor e 240 contra.  O membro do 1143 frequentou grupos extremistas desde cedo. Entre 2007 e 2014 foi conselheiro nacional e presidente da distrital do Algarve do PNR (Partido Nacional Renovador) e por duas vezes, em 2009 e 2011, foi cabeça de lista do partido pelo Algarve (nunca eleito como deputado) nas legislativas. Foi também candidato à Assembleia Municipal de Faro em 2009 e 2013 e ao Parlamento Europeu em 2009 e 2014, alinhando sempre pelo PNR, que em 2019 alterou o seu nome para Ergue-Te. Mas em 2019 Roque desfiliou-se do PNR para se associar ao Aliança, partido fundado por Pedro Santana Lopes, por quem concorreu como cabeça de lista.  Já a João Peixoto, ex-candidato do Chega a uma junta de freguesia de Guimarães, e à mulher, Rita Castro, também ela militante do Chega, foram apreendidos produtos de propaganda como autocolantes com frases de cariz racista e xenófobo, bem como bandeiras, tarjas e t-shirts com a frase "Free Machado" ["Libertem o Machado", em referência ao líder do grupo, o neonazi Mário Machado]. Foram também apreendidos cachecóis e vários megafones com a inscrição "1143 nação valente e imortal", que se encontravam no chão junto à mesa de cabeceira da cama.

O deputado do Chega

Mário Machado apelou publicamente a que os membros do 1143 votassem no partido Chega e como revelou esta operação policial, alguns militantes do partido eram também membros do grupo de extrema-direita Mas até um antigo deputado do Chega esteve envolvido com o grupo.  Esta sexta-feira, o semanário revelou que o então deputado do Chega Miguel Arruda foi a um almoço de convívio do Grupo 1143, realizado em outubro de 2024 no Porto, em que se celebrava o primeiro aniversário daquele grupo neonazi. O Expresso apurou que, durante esse convívio, usou um passa-montanhas, que lhe tapou o rosto, de modo a não ser reconhecido. Arruda foi um defensor público de Machado. "Isto chegou a um ponto que é impossível permanecer em silêncio. A minha total solidariedade com o meu líder André Ventura e Pedro Pinto, por esta tentativa de silenciamento, e para com Mário Machado, que a manter-se a decisão no Tribunal da Relação vai ser um preso político", escreveu na plataforma X, dia 25 de outubro de 2024. Depois apagou a publicação. As interações virtuais entre os dois remontam a de 2024. A artista brasileira de funk MC Pipokinha ia dar um concerto na Fexpomalveira, na Malveira, concelho de Mafra – e por motivos xenófobos, Mário Machado e o seu Grupo 1143 queriam cancelar o evento. "Por amor de Deus, podem falar sobre isto?", pediu no X aos deputados André Ventura, Bruno Nunes, Miguel Arruda, Pedro Frazão, Rita Matias e Pedro Pinto. A 20 de julho, só Miguel Arruda respondeu: "Feito." O evento acabou cancelado e Arruda congratulou o neonazi: "Não tenho problema nenhum em vir publicamente agradecer pelo alerta que deixaram e pelas vossas ações na Malveira." Mário Machado respondeu: "Muito obrigado, sr. deputado. E o nosso reconhecimento pelo contributo também do Chega, e outros movimentos. Já agora, parabéns pela coragem de partilhar o nosso conteúdo e ainda por cima ter vindo comentar. Tiro-lhe o chapéu".
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