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Entre cânticos e palmas Catarina Martins apoia Seguro e promete lutar contra a "extrema-direita"

Gabriela Ângelo 19 de janeiro de 2026 às 00:42

Numa noite marcada pela vitória de António José Seguro, o candidato apoiado pelo Partido Socialista (PS), Catarina Martins e o Bloco de Esquerda assumem o resultado e prometem lutar contra André Ventura.

A noite na sede eleitoral de Catarina Martins começou tarde e acabou cedo. Pelas 19h00 a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda chegou ao Fórum Lisboa, que durante décadas foi uma das maiores salas de cinema da capital, talvez em ode ao seu passado enquanto atriz. Rapidamente a entrada do espaço cultural, ao som de músicas de Zeca Afonso e Sérgio Godinho, encheu-se de jovens, famílias, representantes, antigos dirigentes e fundadores do partido que nos últimos anos tem sofrido vários golpes eleitorais, tendo descido de quatro deputados para um só nas eleições legislativas de 2025 e perdendo representação autárquica nas eleições do mesmo ano. Nestas eleições presidenciais, Catarina Martins conseguiu pouco mais de 115 mil votos, quase menos 50 mil votos em comparação com os 164 mil votos que Marisa Matias atingiu em 2021 nas mesmas eleições.
Catarina Martins e Bloco de Esquerda prometem lutar contra André Ventura EPA/ANDRE KOSTERS
Pouco depois das 21h00, a subida da candidata ao pódio foi acompanhada por cânticos e palmas. “Catarina vai em frente, tens aqui a tua gente” soou na sala que contou com poucos apoiantes. No início do seu discurso começou por felicitar a vitória de António José Seguro e garantiu que o candidato apoiado pelo Partido Socialista (PS) irá receber o seu voto na segunda volta, que irá decorrer no próximo dia 8 de fevereiro. Depois de alguma reflexão sobre o “mau resultado para a esquerda e o resultado muito expressivo para a extrema-direita e a direita radicalizada” a eurodeputada afirmou continuar a lutar a favor “de uma democracia que responda a toda a gente” e lançou uma farpa ao Governo, considerando o resultado de Luís Marques Mendes “o hecatombe do Governo, os grandes derrotados da noite”.  Explicou também ter entrado em campanha “para quebrar tabus, de que Portugal há de ser um país de baixos salários, que o Estado há de continuar a falhar, de que uma mulher não pode ser Presidente da República”, prometendo continuar a lutar contra eles. Apesar de assumir que o resultado alcançado, de pouco mais de 2%, “não era o que esperava”, a eurodeputada reflete que “mesmo que soubesse o resultado, teria feito a campanha na mesma”.  Menos de uma hora depois, subiu ao pódio o recém-eleito coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, que foi recebido de forma semelhante e deixou “quatro notas breves” sobre os resultados desta primeira volta. Em primeiro lugar realçou a campanha “formidável” de Catarina Martins, expressando o seu orgulho e assumindo a sua candidatura como uma “inspiração para ação política”. Em segundo reconheceu que a campanha da eurodeputada apesar de “reconhecida por tanta gente, não teve correspondência pela em votos”, referindo “uma pressão para votar taticamente”. Por fim notou a “derrota clamorosa do candidato do Governo” e por último assumiu responsabilidade pelo resultado e propôs que a mesa nacional do partido se reunisse amanhã, dia 19 de janeiro, onde irá apelar ao voto em António José Seguro e uma “mobilização total para vencer a extrema-direita”. Entre as pausas técnicas, soavam palmas e mais cânticos, desta vez, “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais”.  Sobre o futuro da esquerda em Portugal, representada nestas eleições, para além do PS, pelo Bloco de Esquerda, o Partido Comunista e o Livre, Pureza afirmou que é necessário “repensar as estratégias sem pôr em causa as lutas que fazem da esquerda uma parte nobre da política portuguesa”.  A noite terminou cedo, pouco depois das 22h00, a sala esvaziou, as famílias foram embora e os jovens espalharam-se pelo espaço, saindo aos poucos. Mas a música continuou, até o pódio ter sido desmontado e as cadeiras dobradas e arrumadas. 
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