Secções
Entrar

Cavaco Silva defende "ação reformista" do governo e critica PS e Chega

Lusa 27 de março de 2026 às 13:11

O antigo primeiro-ministro criticou a oposição e apelou ao sentido de Estado para que se avance com as reformas necessárias.

O ex-presidente Aníbal Cavaco Silva defendeu a "ação reformista" do governo de Luís Montenegro, criticando a "falta de coragem" do PS e "impreparação" do Chega perante reformas estruturais, sem as quais Portugal continuará um país europeu "relativamente pobre".

Cavaco Silva apoia governo e critica PS e Chega em cerimónia pública ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Num ensaio , o também ex-primeiro ministro social-democrata (1985-1995) estima que Portugal tem de alcançar um crescimento médio anual de 3%-4%, para deixar de ser um país da União Europeia (UE) "relativamente pobre" e que para tal precisa da "reforma da Administração Pública e a redução da burocracia, de que o ministro da Reforma do Estado tem revelado as ideias certas", nomeadamente com a carteira digital empresarial.

"Ao espírito reformista revelado pelo atual Governo minoritário (...) contrapõe a oposição ações de desgaste visando impedir a concretização das reformas, a que junta a tentativa de governar o país a partir da Assembleia da República. Ao aprovar medidas populistas de redução da receita fiscal e de aumento da despesa pública rígida, procura pôr em causa a sustentabilidade financeira do país, de que o ministro das Finanças tem sido garante. É uma oposição carecida de discernimento que esquece a quase bancarrota a que o Governo do PS conduziu o país em 2011", critica Cavaco Silva.

"Os progressos na satisfação das reivindicações dos portugueses, nos três anos restantes da legislatura, dependem do discernimento e da firmeza da ação reformista do Governo e do grau de obstrução parlamentar às reformas estruturais indispensáveis", sublinha.

No atual "quadro reivindicativo e mediático", admite, "é muito difícil a um Governo sem apoio maioritário na Assembleia da República levar por diante as reformas estruturais exigidas por um crescimento forte da economia portuguesa e o aumento da produtividade".

Numa análise "claramente negativa" ao espírito reformista das principais forças políticas atuais, Cavaco Silva afirma que o Partido Socialista (PS) governou entre 2015 e 2024 "movido acima de tudo pela preservação do poder, demonstrando uma clara aversão a políticas de cariz estrutural e desperdiçando oportunidades", enquanto o líder do Chega "procura enganar e iludir os portugueses através de uma gritaria de pretensas 'verdades'".

"O PS atual, carecido de discernimento e enrodilhado em preconceitos ideológicos que chocam com a realidade económica e social dos novos tempos e com a instabilidade geopolítica, não manifesta qualquer vontade reformista. É evidente a sua falta de coragem para sequer discutir as mudanças necessárias para que a economia portuguesa se aproxime das mais avançadas da União Europeia", critica.

Quanto ao Chega, aponta, "trata-se de uma força política desprovida de uma ideologia minimamente coerente que tem revelado uma óbvia impreparação técnica para falar de políticas para o progresso do país e que tem como marca distintiva a retórica da confrontação e o discurso teatral do ódio, do insulto, da calúnia e da mentira".

O ex-PR escreve ainda que "qualquer invocação comparativa [de André Ventura] com a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni é totalmente despropositada".

Esta mesma oposição, critica ainda, fez "prova de hipocrisia" na discussão do Orçamento do Estado para 2026, criticando a injustiça na distribuição do rendimento enquanto aprovou "medidas que agravam essa injustiça, como foi o caso das propinas universitárias e a eliminação de portagens em autoestradas".

Quanto ao novo Presidente, Cavaco afirma não prever, pelo que enquanto chefe de Estado conheceu dos múltiplos contactos com António José Seguro (então líder do PS), "seja um obstáculo à aprovação das reformas de que Portugal urgentemente precisa".

"O nível e a qualidade de vida dos portugueses só pode aumentar de forma sustentável através de reformas que possibilitem um crescimento forte da economia e o aumento da produtividade. Só dessa forma o Estado disporá dos recursos financeiros para cumprir as justas aspirações dos portugueses de melhores salários e pensões, mais qualidade dos serviços públicos e impostos mais justos", adianta.

"Sem as reformas necessárias ao crescimento robusto da economia há um sério risco de reforço das forças políticas populistas e de deterioração da qualidade da nossa democracia", alerta Cavaco Silva.

Artigos recomendados
As mais lidas