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Álvaro Santos Pereira também teve de se desfazer de ações compradas em janeiro

Lusa 29 de abril de 2026 às 18:47

O atual governador do Banco de Portugal comprou ações da Nestlé, Navigator, Galp e Jerónimo Martins.

O Banco de Portugal esclareceu que o governador, Álvaro Santos Pereira, também teve de se desfazer de ações de empresas cotadas que comprou em janeiro de 2026, para além das que adquiriu em dezembro, quando já ocupava o cargo.

Álvaro Santos Pereira nega crise na restauração, em Lisboa Tiago Petinga/LUSA_EPA

"Em janeiro de 2026, [o governador] adquiriu ações da Nestlé e da The Navigator Company, SA e fez reforços em ações da Galp Energia SGPS, SA e da Jerónimo Martins SGPS, SA, tal como consta da comunicação feita à Entidade para a Transparência e constará da declaração de interesses a disponibilizar pelo BCE no próximo ano, referente às transações realizadas no ano anterior".

O jornal Público tinha noticiado na segunda-feira que Álvaro Santos Pereira comprou ações da petrolífera Galp e da retalhista Jerónimo Martins em dezembro passado, dois meses depois de tomar posse, e que o comunicou na declaração de interesses em janeiro.

Após a análise do BCE, o governador teve de reverter as transações.

Desconhecia-se, até hoje, que a compra de ações tinha continuado em janeiro deste ano.

O novo esclarecimento do banco central indica que o governador "comunicou, atempadamente, ao BCE estas transações com ativos financeiros, todas relacionadas com entidades não sujeitas à supervisão do Banco de Portugal, no quadro do exercício anual de declaração de interesses realizada no início de 2026".

Comunicou ainda "todos os detalhes relativos ao seu património à Entidade para a Transparência a 15 de janeiro".

Acontece que, em 01 de abril, o comité de ética do BCE "transmitiu ao governador que a aquisição de ações, mesmo de empresas não financeiras, não era possível, bem como, consequentemente, a necessidade de alienar, até 30 de junho de 2026, as ações adquiridas em dezembro de 2025 e em janeiro de 2026".

Esse processo "de regularização já foi concluído", adianta a nota do banco central, esclarecendo ainda que Álvaro Santos Pereira decidiu "doar as mais-valias resultantes da venda destas ações a uma instituição de responsabilidade social".

O Banco de Portugal não esclareceu em nenhum momento o valor das aquisições de títulos nem o valor obtido com a venda dos mesmos.

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