Teerão obsidional
Paulo Batista Ramos
08 de junho

Teerão obsidional

O Irão ocupa uma posição pivot na geopolítica do Médio Oriente e Ásia Central. Atualmente, representa a última economia emergente, com enorme potencial e múltiplas oportunidades, a entrar no mercado global.

O posicionamento estratégico e as dinâmicas históricas externas criaram em Teerão um sentimento de desconfiança, gerando a perceção de que despontam ameaças de todas as direções. Em parte, a política externa iraniana é fruto desta mentalidade defensiva, presentemente concebida como "eixo de resistência".

Paradoxalmente, a esfera de influência de Teerão encontra-se numa expansão sustentada e fértil ao longo do crescente xiita, entre o Líbano e Malabar. Em particular desde 2014, com o dealbar do autoproclamado "Estado islâmico", que permitiu ao Irão revolucionário revitalizar a quinta coluna das comunidades xiitas pulverizadas, há séculos, pela região.  

A expectável eleição presidencial do Said Raissi, através do voto da resignação popular, não trará nada de novo na projeção externa do regime. Na sociedade iraniana, todos sentem que o brigadismo internacionalista dos Guardas da Revolução Islâmica - ainda a oscularem o Al Corão, a caminho de mais uma missão de martírio - tem custos orçamentais e sociais fastigiosos, e provocam danos prejudiciais à imagem do país.

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