Sábado – Pense por si

Lívia Franco Professora e investigadora (IEP-Católica)
30 de junho de 2026 às 23:00

Portugal e a declaração de 1776

Porque é que volvidos 250 anos importa comemorar a declaração de independência de um punhado de colónias insignificantes e marginais no sistema das relações internacionais em vigor em 1776? Uma breve reflexão à volta do impacto que ela teve sobre o velho e extenso império ultramarino que Portugal era então ajudará a entender a relevância deste acontecimento e dos seus efeitos políticos.

A historiografia norte-americana refere sempre incorretamente que a França e os Países Baixos foram os únicos países europeus a reconhecerem os Estados Unidos antes da assinatura do Tratado de Paris, em setembro de 1783. Isto não é factualmente verdade. Portugal também o fez, in extremis, é verdade, em fevereiro desse mesmo ano. Não obstante, o reconhecimento português é efetivamente anterior à paz e é especialmente significativo se tivermos em conta a proximidade entre Lisboa e Londres que, aliás, determinou no próprio dia 4 de julho de 1776, a promulgação pelo Marquês de Pombal de um decreto a interditar a entrada de navios americanos nos portos portugueses.

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