Nómadas do império
Pedro Marta Santos
21 de fevereiro

Nómadas do império

Não se trata da “hora mágica”, xamânica, de Terrence Malick (não há aqui tempo para epifanias); ou do céu de Turner, tingido de um laranja apocalíptico (não há aqui espaço para o luxo do fatalismo). Nomadland é um filme de uma intransigente independência

A luz. sem ela, como vivemos? Há poucos dias, passou quase despercebida a morte de um pintor de luz. Giuseppe Rotunno foi director de fotografia de Visconti, Fellini, De Sica. É graças a ele que não conseguimos dissipar as imagens da varanda do príncipe de Salina, com as cortinas apaixonadas pela brisa. Do mar feito de prata à passagem do Rex. Do crepúsculo da Emília-Romanha. É da luz – da sua presença e ausência – que depende Nomadland – Sobreviver na América. Com antestreia nacional em Novembro no Leffest, tem lançamento nas salas previsto para 14 de Março. Mas o Grande Devorador deve arremessá-lo até ao Verão. É pena: precisamos de Nomadland como um recluso precisa de sol no rosto.

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