Desgaste do poder sem oposição é perigoso
José Pacheco Pereira Professor
22 de julho

Desgaste do poder sem oposição é perigoso

O Chega tem apenas um deputado, mas vai sem dúvida ter mais. PCP e o BE estão politicamente impotentes, embora o BE ainda não tenha dado por isso, e o PCP já se tenha habituado a essa condição.

A pequena expressão do populismo institucionalizado em Portugal é um facto do passado. O Chega tem apenas um deputado, mas vai sem dúvida ter mais. Embora os resultados nas presidenciais não possam ser extrapolados para as legislativas e muito menos para as autárquicas, convém não ter ilusões sobre o seu crescimento a curto e eventualmente a médio prazo. Depois parará, mas antes fará estragos consideráveis e, dependendo do destino do PSD, pode alterar o equilíbrio do centro político em Portugal, mesmo sem uma expressão significativa de votos. A chave para o futuro do sistema político em Portugal é o que pode acontecer ao PSD logo a seguir às autárquicas, e, com o modo como as coisas estão a evoluir não me parece que se possa ter muito optimismo.
Os erros de avaliação do PS, demasiado crente de que, por não ter uma oposição significativa por parte do PSD, não corre riscos políticos e eleitorais – que não são a mesma coisa –, têm vindo a agravar-se. Mas se o partido do Governo olhasse para outro tipo de desgaste, que não o que vem de dentro do sistema político parlamentar, deveria estar muito preocupado. Vejam-se as últimas sondagens, que mesmo para alguém que não as considera muito, tem flutuações demasiado drásticas para merecerem atenção. 

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