A indiferença frente às prisões políticas em Espanha
José Pacheco Pereira Professor
01 de abril de 2018

A indiferença frente às prisões políticas em Espanha

Só faltava que Espanha se somasse a Angola nas causas de que não se pode falar, porque prejudica os "interesses portugueses", como nos dizem ser a razão dos silêncios incomodados com que temos assistido a contínuas violações dos direitos humanos em pseudodemocracias como é Angola e a Espanha vai a caminho.

Não me estranha, como péssimo sinal de indiferença cívica, o pouco ou quase nada que os portugueses têm feito em solidariedade com as prisões políticas na Catalunha. Com excepção de um pequeno grupo de personalidades da esquerda, há um silêncio avassalador em todas as áreas da vida política, com relevo para o PS e o PSD. Fazem mal porque é responsabilidade de todos nós que aqui ao lado se façam perseguições políticas a eleitos numas eleições convocadas pelo próprio Estado espanhol, sendo que se apresentaram às urnas nessas eleições com um programa claramente independentista. O que é que se espera que defendam?

Há dois factores graves no que se passa. O primeiro, é que se pode e deve solidariedade com presos políticos na democrática Europa, sem necessariamente concordar com a sua causa. O segundo, é que uma coisa são posições governamentais, presas por acordos e compromissos e pela realpolitik europeia antidemocrática dos últimos anos, outra as posições de partidos políticos que deveriam ter autonomia para intervirem civicamente na sociedade sem a coacção das obrigações que, muitas vezes erradamente, tolhem governos e estados.

Temos relações diplomáticas com a Rússia e isso significa que não nos podemos manifestar contra o carácter fictício do seu processo eleitoral e a perseguição aos opositores de Putin? Só faltava. E não podemos fazer o mesmo com Espanha? Só faltava.

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