Com Catalunhas e dentes
Nuno Rogeiro
17 de setembro de 2017

Com Catalunhas e dentes

Já não é folclore. Apesar da sua ilegalidade, o referendo sobre a independência da Catalunha parece inevitável. A grande questão é a de saber se, a seguir, vence o direito, a política, a polícia, a negociação ou o caos

"Catalunha, triunfante, voltará a ser rica e abundante. Abaixo esta gente, tão ufana e arrogante!" São as palavras iniciais do curto hino catalão, Els Segadors, criado em 1899 por Emil Guanyavents, mas que descreve uma revolta real do século XVII.
Na verdade, apesar do desejo de alguns – da "extrema-direita" à "extrema-esquerda" – de ver no nacionalismo catalão um produto artificial da pequena burguesia local, a História não mente.

Pela especificidade geográfica, pela cortina montanhosa, pela proximidade das Baleares e de França, Catalunha sempre foi diferente, além da diversidade nas gentes, na cultura, na língua, nos costumes políticos e na gastronomia.
Mas os catalães não são soldados, e muito menos sabem ser um império couraçado.

A partir do fim do século XIV, até onde viveram como corpo independente (sozinho ou na união voluntária com Aragão), foi difícil resistir à política madrilena, feita de argúcia, inteligência, negociação superior e força bruta. Em 1640, porém, a 7 de Junho, no dia do Corpo de Cristo, os ceifeiros ergueram-se. Foi sangrento. O hino também tem o "Bom golpe de foice, defensores da terra!".

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