O amor é cego
João Pereira Coutinho Politólogo, escritor
12 de novembro de 2021

O amor é cego

A rigidez de 2015 foi convertida na flexibilidade de 2022: sozinho, acompanhado, à esquerda, ao centro, à direita, em cima ou em baixo, o PS converteu-se ao poliamor. O que interessa é governar, ou pelo menos participar na governança.

Em 2015, ninguém sabia o que tencionava o PS fazer se ganhasse (ou até se perdesse) as eleições. Governaria sozinho? Tentava um entendimento com a direita? Voltava-se para a sua esquerda? Passos Coelho nunca confrontou o candidato António Costa com essa pergunta. O eleitorado soube a resposta quando já era demasiado tarde.

Agora, em 2022, não há margem para dúvidas. A estratégia do Rato resume-se em duas palavras: tanto faz. Para Costa, o ideal era uma maioria "reforçada", leia-se absoluta, para ter quatro anos de mando em paz e sossego.

Mas depois, quando Costa se ausenta, eis que aparecem novos feirantes com novas narrativas. Pedro Nuno Santos avisa que a "geringonça" não foi um parêntesis, exortando o partido a fazer novos entendimentos com os velhos camaradas. Pedro Nuno é um romântico e está disposto a uma dar uma segunda oportunidade à relação.

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