No divã
João Pereira Coutinho Politólogo, escritor
15 de outubro

No divã

A relação das esquerdas com Cavaco revela um trauma que não se explica apenas pelas rivalidades políticas comuns. Embora as redes sociais me pareçam mais saudáveis, no contexto desse trauma, do que o sofrimento internalizado do PS

TENHO PENA que Cavaco Silva não escreva artigos de opinião mais vezes. Não por motivos políticos, entenda-se. Por motivos psicanalíticos. O processo desenvolve-se em três fases: Cavaco fala; a esquerda “oficial” finge-se divertida e displicente; e as redes sociais revelam o que existe no subconsciente das esquerdas. Como dizia Jack, O Estripador, vamos por partes.

Cavaco fala: apresenta argumentos sólidos e, até ao momento, inquestionáveis. Desta vez, foi a estagnação do País; a nossa caminhada gloriosa para a cauda da Europa; e a existência de uma oposição (leia-se: de um PSD) que prima pela ausência.

A esquerda “oficial”, desta vez representada por Carlos César, reage com uma tentativa de humor: confessa-se “desactualizada” com a “produção literária” do prof. Cavaco. Para os entendidos em psicanálise, isto tem nome: formação reactiva. Basicamente, consiste num mecanismo de defesa que nos leva a agir de forma oposta ao que sentimos de verdade. Quando César se afirma divertido com a “produção literária” de Cavaco, a vontade dele era queimar os seus artigos, na impossibilidade de queimar o autor.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Para activar o código da revista, clique aqui
Opinião Ver mais