Sabordalhão
João Pedro George
05 de dezembro de 2021

Sabordalhão

O pénis ilustra a noção paradoxal de passagem e permanência do tempo. Mas mostra, também, como o progresso da cultura foi influenciado pela necessidade de dilatar enormemente o tamanho do pénis.

O calão é o santuário das palavras javardas. É uma linguagem que mergulha até às raízes da mente masculina, que funciona segundo as suas regras e que terá sido inventada, maioritariamente, por homens (há aí alguém que julgava que o calão era diferente da sociedade que o criou?).

Antes de prosseguir, um aviso aos leitores mais sensíveis: esta crónica, segundo o "caralhómetro" (aparelho idealizado pelo próprio calão para detectar ou medir a percentagem de sinónimos de pénis mencionados num texto estupidamente carroceiro), apresenta altos níveis de testosterona lexical.

Feita a advertência, é preciso dizer, claramente e sem contemplações, que o pénis é aqui uma obsessão temática. Só para que tenham uma ideia, o Dicionário do Palavrão e de Outras Inconveniências, de Orlando Neves e Carlos Pinto Santos, é um armazém com fartura de entradas – perto de 200 – que designam o órgão eréctil e copulador masculino.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Para activar o código da revista, clique aqui
Opinião Ver mais