Onde nasce a corrupção?
Eduardo Dâmaso Director
18 de fevereiro

Onde nasce a corrupção?

As pequenas corruptelas evidenciam sempre uma única coisa: a esclerose do aparelho do Estado, ao serviço do empreguismo partidário e dos grupos que o dominam. Foi assim com os pequenos favores fiscais, e com a emissão de faturas falsas.


Podemos dar muitas voltas, procurar muitos estudos e muitas teorias, mas uma das principais fontes da corrupção está na forma como o Estado gere os seus recursos. Como compra, como distribui competências para comprar, licenciar, adjudicar, emprestar ou, de outro modo, pelos maus exemplos que dá.

Vem isto a propósito da desvalorização que é feita em alguns setores e por alguns influentes comentadores dos casos de vacinação irregular a pessoas não prioritárias. Quando entramos pelo caminho da desvalorização deste tipo de práticas, estamos a abrir a porta grande para uma mentalidade de abuso, para comportamentos que causam profundo dano na igualdade dos cidadãos perante a lei e o Estado.

Não pode existir melhor pasto para todos os que se alimentam politicamente das falhas dos poderes instituídos, do seu nepotismo e das suas práticas corruptas. Os Venturas também nascem destas práticas relativistas. Relativizar na esfera pública este tipo de comportamentos equivale a desacreditar as instituições e a abrir uma larga avenida para todos os profissionais do combate à corrupção que, abdicando do rigor e da racionalidade, a utilizam hoje como uma poderosa arma de intoxicação coletiva e de diabolização de tudo o que é político.

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