Sábado – Pense por si

Pedro Ledo
Pedro Ledo Jurista especialista em Cibersegurança
26 de setembro de 2026 às 07:00

Quem ganha a IA ganha tudo? A América acelera, a China abre as portas

Um vende liderança, o outro vende acesso. No mercado global da tecnologia, quem controla o acesso costuma ganhar mais do que quem proclama a liderança.

No fim de semana de 12 e 13 de setembro, os dois homens que decidem o rumo da inteligência artificial falaram quase à mesma hora e disseram coisas opostas. Donald Trump afastou os apelos de cientistas e de executivos da Anthropic, da OpenAI e da Google para travar o desenvolvimento, insistindo que o essencial é manter os EUA à frente da China, e resumiu a doutrina numa frase: "quem ganhar a IA ganha". Admitiu alguma regulação, mas sem concretizar regras, e atribuiu os avisos sobre a velocidade da tecnologia a "forças negativas" que não identificou. Na Truth Social foi mais longe, defendendo que a única regulação de que a IA precisa é um presidente forte e inteligente. Em Nova Deli, Xi Jinping fez o discurso inverso. Anunciou que a China vai liderar uma comunidade open source de IA no BRICS, apoiar o desenvolvimento conjunto de grandes modelos de linguagem e organizar formação, um dia depois de convidar o bloco a aderir a uma nova organização mundial de cooperação em IA, criada por Pequim com quase 30 países. Um vende liderança, o outro vende acesso. No mercado global da tecnologia, quem controla o acesso costuma ganhar mais do que quem proclama a liderança. 

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