Uma sociedade de abusadores (e de abusados)
Paula Cordeiro
21 de junho

Uma sociedade de abusadores (e de abusados)

Horas a mais, salário a menos, aumentos salariais inexistentes, acumulação de tarefas para cada função, multiplicação de tarefas na mesma função e acumulação de funções, ausência de reconhecimento do valor que cada função tem para a organização, falta de valorização pessoal e profissional, incapacidade para perceber que essa acumulação não se traduz em aumento da produção.

Gosto da forma como o adjectivo tem um duplo sentido em Portugal e no Brasil, entre aquele que é abusado e o que é atrevido. Se o atrevido não é necessariamente um abusador, já o abusado é vitima do que abusa, o abusador. E sim, gosto de jogos de palavras, de perceber como o seu sentido literal e figurado acaba por servir diferentes propósitos, representar várias ideias. Sobretudo, fazer-nos pensar. Se pensarmos, há um abuso latente que a palavra abusado não consegue representar porque o abusador está abusadoramente a abusar.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Para activar o código da revista, clique aqui