Tendências de verão: tropicalia ensanguentada
Paula Cordeiro
18 de agosto

Tendências de verão: tropicalia ensanguentada

Como será a casa das pessoas que se enfiaram à pressa e ao monte num C-17, um avião de transporte da força aérea americana, para fugirem de Kabul? Pensaremos nisso enquanto desfrutamos da nossa liberdade e direitos adquiridos, aqueles que nos são tão comuns e normais que não questionamos?

Agosto vai a meio e parece um ano inteiro, repleto de acontecimentos vários que quebram a rotina das notícias na praia com sabor a sol e mar. Nunca, como agora, o mar arrefeceu tanto, e nunca, como hoje, o sol esteve tão intenso, numa paradoxal relação que insistimos em não quererem compreender.

No Algarve a vida é doce e suave, entre fruta apanhada no pomar e a languidão de uma leitura à beira-mar. Interrompi as férias para, de imediato, regressar, sentindo algo que não se explica muito bem, uma ideia que fica sempre por explicar, para a qual palavras não chegam: a sensação de não querer voltar. Invade-nos quase sempre no período pré-pós-férias e termina à chegada a casa porque apesar de tudo, casa é casa.

Como será a casa das pessoas que se enfiaram à pressa e ao monte num C-17, um avião de transporte da força aérea americana, para fugirem de Kabul? Pensaremos nisso enquanto desfrutamos da nossa liberdade e direitos adquiridos, aqueles que nos são tão comuns e normais que não questionamos? E se um dia fossemos nós a correr desesperadamente num aeroporto para entrar num avião - qualquer - que nos levasse dali para qualquer - qualquer - outro lugar? Pensaríamos nessa prosaica ideia de casa, nas compras que vamos fazer ou nos saldos que também estão a acontecer? Correríamos pela vida como batemos perna num centro comercial, onde também nos amontoamos - menos, é certo - para comer?

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