Eu não sei, mas quero saber
Paula Cordeiro
29 de junho

Eu não sei, mas quero saber

Eu não sou gay, mas tenho amigos que são e, admito, oiço pouco. Ou talvez pergunte pouco, não sei. Sei, contudo, que preciso de saber mais, porque da aceitação, identificação ou compreensão, à empatia vão passos largos.

Querer saber é o princípio de tudo e, na maior parte dos casos, não queremos saber. Fala-se muito em empatia, mas por muito que nos expliquem que é mais do que de sermos capazes de nos colocar no lugar do outro, não queremos saber. E não queremos  saber porque não é connosco, querer saber obriga a prestar atenção e estamos a perder a capacidade de nos concentrarmos.

Querer saber obriga a saber ouvir e estamos numa sociedade ensurdecedora, na qual todos têm algo a dizer e ninguém que os queira ouvir. E porque razão é tão importante saber ouvir? Porque só assim talvez consigamos atingir  esse patamar de sermos capazes de nos colocarmos no lugar do outro. 

O #pridemonth acaba amanhã, mas o orgulho LGBTQ+ deve continuar porque há ainda muito a fazer no que toca a respeito, aceitação, direitos, liberdades e garantias. Escrevo a frase pensando que há muito fazer em tantas outras áreas e movimentos, e penso que (quase) todas resultam de uma  tensão entre o que a sociedade, como um todo, define, e o que os indivíduos, enquanto membros dessa sociedade, desejam para si.

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