Farinha do mesmo saco
Israel é um país democrático. No reino do Aiatolá, a garantia resume-se à execução. Ides para lá de barquinho e depois digam como é o além.
Extremismo. Ameaça à democracia. Ataque à constituição. É o trio de arma infantaria para destronar André Ventura. Calma. O seu estilo xerife enerva unhas, um paleio pautado e carregado de generalizações. De acordo. Contudo, até ser um ditador, caros senhores, e de querer instalar a ditadura em Portugal, há uma estrada sem fim a percorrer. Bebam água. Vejam menos filmes. Leiam. Curiosamente, aqueles que lhe atiram à cara o epíteto de caudilho ladrão da liberdade e alinham com António José Seguro são partidos conexos até ao tutano com tudo o que não rima com moderação. Que se veja qual é o lado que o PCP esteve, e está, na invasão da Rússia à Ucrânia. Oficialmente, não apoia a Rússia, nem o governo da Ucrânia. Típico. Dizem-se força pela paz. É. Tal e qual. A postura adoptada destoa da improvável pomba branca na Soeiro Pereira Gomes: recusa em condenar a ocupação russa. Essa é que é. Em Março de 2025, o PCP foi o único partido que ficou com o cóccix na cadeira para não participar numa ovação a uma delegação ucraniana na Assembleia da República. Meio século atrás, em 1975, doeu-lhes o facto de Portugal ter, em boa hora, escolhido o caminho da democracia europeia pluralista em detrimento de modelos autoritários. Não tinha sido parido, o Bloco de Esquerda, é verdade, mas os seus três partidos fundadores — a UDP, o PSR e a Política XXI — já andavam na terra e envolveram-se nos acontecimentos daquela época. A UDP, marxista-leninista, à esquerda do PCP, apelou à mobilização das massas e à resistência armada contra o grupo dos Nove liderado por Ramalho Eanes.As raízes do PSR vinham da Liga Comunista Internacionalista, matriz trotskista, extrema-esquerda entusiasta da COPCON de Otelo Saraiva de Carvalho. A Política XXI, surgiu apenas nos anos 90, composto por dissidentes do PCP, e nesse febril ano de 1975, integravam a estrutura do Partido Comunista. Hoje em dia, mantém visão turva em relação às celebrações oficiais do 25 de Novembro, visto, e mal, pelo Bloco como o momento que travou conquistas sociais importantes. O PCP conserva a postura de não condenação e de solidariedade com a República Popular Democrática da Coreia, e a importância do tema na agenda do partido tem diminuído, privilegiando-se conflitos noutras geografias, como na Palestina. Com o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista Português partilha uma base comum: condenam Israel e aplaudem o terrrorismo do Hamas. Os bloquistas enfiam-se em flotillas, enrolam o lenço ao pescoço e exteriorizam a posição à larga. Os comunistas, esses, evitam isolar o Hamas nas críticas e não o classificam de organização terrorista.
Sobre a repressão e crimes no Irão, nada, nadinha, sequer um barco a remos em direcção a Teerão. Porquê? Ora, porquê. Sabiam que não seriam fuzilados, em Israel, sim, em Israel as vidas dos activistas tendenciosos em part-time não correriam perigo, as suas liberdades permaneciam garantidas. Gostem ou ponham no canto do prato, Israel é um país democrático. No reino do Aiatolá, a garantia resume-se à execução. Ides para lá de barquinho e depois digam como é o além.
Putin, Hamas, o obeso da Coreia, o deposto Maduro, ganham a simpatia da esquerda e extrema-esquerda portuguesa, contando com o Livre, fino, situado na esquerda libertária e ecologista, pró-Palestina e raivoso de Israel, e a favor das escolas públicas, contudo matriculam filhos em colégios. Criaturas que não usam a boca e a cabeça para defenderem a civilização, facilmente caem no escorrega da incongruência. É este tipo de ideais, ou coisa assim, que dará o sim a Seguro e, com gosto, vira o lombo a Ventura. António José Seguro não será eleito presidente da República pelo seu próprio e indubitável valor. Votam Seguro para não ter Ventura como a primeira figura do estado. É injusto.
Enxotado pela gula de Costa, esteve uns anos, talvez dez, distanciado do Largo do Rato. Regressou e conseguiu o que poucos logram: posicionar-se à frente sem precisar das mãozinhas dos camaradas. Não terá sido o débil entusiasmo do PS o responsável. Seguro, só e unicamente. A improvável eleição de André Ventura deve-se ao machado que lhe corta a carótida política: é o lobo mau. Mandou os ciganos cumprirem a lei, depois, com a tareia judicial, a ordem passou às minorias, por si tristemente apelidadas, do costume a ter a obrigação. Disse que em Portugal faz falta três (no mínimo) Salazares. As palavras usadas fogem da elegância; a mama deixou de ser o exclusivo de uma parte do corpo. Entre os partidos e pessoas que manifestaram a intenção de voto a favor de Seguro, e não por aproximação a Seguro, mas um veto a Ventura, não sobram dedos para contar os iluminados que chamam o dono do Chega de tudo, menos de santo, pondo para debaixo do tapete o cordão ditatorial que os sustenta.
Farinha do mesmo saco
Israel é um país democrático. No reino do Aiatolá, a garantia resume-se à execução. Ides para lá de barquinho e depois digam como é o além.
Da Independência à Dependência
A Marques Mendes falta-lhe a franqueza: é social-democrata, apoiado pelo governo social-democrata, o que não invalida que será, aliás, seria, o presidente de todos os portugueses.
É mentira, é mentira, sim, senhor
Agora, Cristo já não é judeu. Cristo é palestiniano. Morto por judeus, provavelmente.
Variações Presidenciais
Foi o facto de se sentir zangado com a atitude da primeira figura do estado, que impulsionou Henrique Gouveia e Melo a se candidatar ao cargo de quem o pôs furioso.
Humanidade em Obras
Invadiram uma escola na Nigéria sequestraram cerca de 300 alunos e professores. Na sede do Bloco de Esquerda, no site esquerda.pt, na espuma de Mariana Mortágua e na antiquíssima modelo Aparício, imperou o silêncio violento.
Edições do Dia
Boas leituras!