Passa a outro e não ao mesmo
João Paulo Batalha
Ontem

Passa a outro e não ao mesmo

Quando se diz que um processo “corre” termos num qualquer tribunal, quase sempre não “corre”, coxeia, e os “termos” são intermináveis. João Rendeiro é o último exemplo.

Uma das (muitas) dificuldades do jornalismo na cobertura de casos judiciais é que, por definição, os jornalistas noticiam quando há novidades para noticiar. Ora, o estado habitual de qualquer processo judicial é o estado comatoso. Daí que, tirando uma mão-cheia de repórteres teimosos que vão seguindo o calvário judicial passo a passo, para a esmagadora maioria de nós os processos perdem-se a meio do caminho. Mesmo quando a justiça funciona, na perceção pública não funcionou. 

Este estado de coisas já é mau que chegue sem os tribunais ajudarem à festa com a sua incapacidade, ou mesmo resistência, em prestarem contas de forma aberta e fácil de perceber. Infelizmente, a cultura de comunicação da nossa justiça, apesar de algumas lentas evoluções, continua próxima de cultura nenhuma. Ao longo dos anos lá se foram contratando assessores de imprensa no Ministério Público e alguns tribunais, mas de um modo geral o meio judiciário não aprecia o escrutínio jornalístico e continua a preferir viver fechado na sua torre. 

Foi há um mês que Eduardo Dâmaso nos recordou que o banqueiro João Rendeiro continua à solta, apesar de já ter sido condenado em dois processos diferentes relativos à derrocada do Banco Privado Português. No primeiro, a condenação já não tem mais instâncias possíveis de recurso, mas a sentença de cinco anos e oito meses de prisão continua sem ser executada. No segundo processo, há já uma condenação em primeira instância, mas estamos seguramente a vários anos do desfecho, que agora entra na saga habitual de recursos para os tribunais superiores. 

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