Força maior e guerra de desgaste
A invocação de «causa de força maior» para suspender contratos de fornecimento de combustíveis ou alumínio era consequência certa e previsível da guerra.
São ainda escassos, mas vislumbram-se alguns sinais de que o Pentágono prepara incursões de unidades militares ao longo da costa do Irão no Golfo Pérsico.
Operações de alto risco de unidades de paraquedistas e fuzileiros em pontos fulcrais do litoral iraniano – montanhoso, pejado de pauis e ilhas – serão provavelmente necessárias para eliminar focos de ataque à navegação comercial.
Os bombardeamentos de bases militares e portos ao longo de mais de 1 700 quilómetros de costa não conseguem evitar ataques à navegação e obstar ao risco de eventual minagem do Estreito de Ormuz.
Alto risco implica ausência de cobertura de seguros à navegação e a suspensão do tráfego obriga a reduções nas actividades extractivas, conforme anunciou o Iraque na terça-feira, devido aos constrangimentos da capacidade de armazenamento de petróleo.
A invocação de «causa de força maior» para suspender contratos de fornecimento de combustíveis ou alumínio era consequência certa e
previsível de uma guerra em larga escala dos Estados Unidos e Israel contra o Irão.
O Qatar na quarta-feira, ao quinto dia de guerra, recorreu, por sua vez, à cláusula contratual de «evento imprevisto, irresistível e alheio à vontade» do fornecedor para suspender a produção e vendas de gás natural liquefeito (GNL).
Cerca de 20% da produção global de GNL, assegurada pelo Qatar e os Emirados Árabes Unidos, ficou assim em suspenso, com efeitos díspares consoante a dependência dos fornecimentos oriundos do Golfo Pérsicos e as reservas de que disponham os importadores.
Portugal graças às importações da Nigéria e dos Estados Unidos é pouco afectado, ao contrário, por exemplo, da Itália.
Pelo Estreito de Ormuz também transita – além de nitrogénio e fosfato para fertilizantes – cerca de 25% do petróleo exportado por via marítima.
A interrupção desse fluxo – 200 milhões de barris/dia em 2025 – gera aumentos de preços, prejudicando fortemente os mercados asiáticos que absorvem 80% do crude, sobretudo a Coreia do Sul, Japão, Singapura e China.
Nem a Arábia Saudita, nem os Emirados Árabes Unidos podem compensar o fecho do Golfo de Ormuz recorrendo a portos como Yanbu no Mar
Vermelho – ademais sujeito a eventuais ataque de Houthis iemenitas, aliados de Teerão – pelo que a alta do petróleo é inevitável.
O preço do Brent – crude de referência para os mercados europeus – vai ultrapassar na próxima semana os 90 dólares e nos Estados Unidos o West Texas Intermediate fechou sexta-feira nos 85 dólares.
Washington viu-se na contingência de suspender por 30 dias, na quinta-feira, as sanções comerciais que pretendia aplicar pelas compras da Índia de petróleo russo em vias de entrega o que se traduziu imediatamente na livre transação de pelo menos 23 milhões de barris.
A capacidade extractiva de petróleo e gás natural dos Estados Unidos, o alto nível das reservas estratégicas na União Europeia e na China, permitem, em princípio, admitir que cortes de curta duração de produção e abastecimentos não venham a provocar uma crise económica generalizada.
Mais difícil, contudo, é de crer que Trump tenha ponderado e definido objectivos nesta guerra que, pelo lado israelita, convém prolongar para efectivamente obliterar a potência militar do Irão.
Quebras bolsistas, pânicos empresariais, altas de combustíveis são algo com que Trump dificilmente é capaz de lidar e no Irão há quem conte com isso.
Texto escrito segundo o Acordo Ortográfico de 1945
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