A imigração é, agora, uma característica essencial da sociedade portuguesa.
A dependência de
mão-obra imigrante da economia portuguesa aumentou na última década e atingiu
um ponto de não-retorno em 2025 quando os trabalhadores estrangeiros passaram a
representar 20% dos contribuintes para a segurança social.
As estatísticas das
contribuições pagas e prestações recebidas por pessoas de nacionalidade
estrangeira, que em boa hora o governo decidiu passarem a ser divulgadas
mensalmente no portal da Segurança Social, mostram que na agricultura, exploração
florestal e pesca os imigrantes já ultrapassam os nacionais, representando 53%
dos contribuintes.
A imigração legal
para trabalho por conta de outrem (89% destes contribuintes) é, igualmente,
essencial nas actividades administrativas e de serviços de baixa remuneração –
limpeza ou segurança, por exemplo, (40%) –, bem como no alojamento e
restauração (39%) ou construção civil (36%).
Nestes sectores
concentra-se, também, a exploração da maior parte dos cerca de 40 mil
imigrantes ilegais que se encontram em Portugal, segundo estimativas das
entidades oficiais.
No ano passado as
contribuições de 1.115 41 estrangeiros cifraram-se em 4.148,96 milhões de euros,
valor a comparar com os 480,70 milhões de 2015 quando estavam registados 204 150
estrangeiros (5,3%).
O montante das
prestações pagas há dez anos a 84 045 pessoas estrangeiras era de 131,76
milhões, tendo atingido no ano passado 822,02 milhões de euros os pagamentos,
enquadrados no sistema contributivo e não-contributivo e excluindo pensões de
reforma, a 324 619 trabalhadores estrangeiros (12,67% do total).
Mão-de-obra barata
Nos sectores
tecnológicos e científicos de ponta Portugal não atrai estrangeiros, independentemente
da excelência de alguns centros de investigação como a Fundação Champalimaud.
A mão-de-obra estrangeira
tem essencialmente baixas qualificações.
A imigração
hindustânica concentra-se na agricultura, a africana na construção e limpezas,
enquanto alojamento e restauração empregam gente do Brasil, também fortemente
representada em actividades administrativas e serviços.
O Brasil conta com
405 562 imigrantes (36% do total), ao passo que nenhuma das demais
nacionalidades ultrapassa os 8% dos contribuintes estrangeiros para a Segurança
Social, maioritariamente homens (69%) com menos de 40 anos (66%).
Constrangimentos demográficos
Desde 1982 que Portugal não alcança o número
médio de 2,1 crianças por mulher necessário para assegurar a substituição de
gerações (1,40 foi a média de 2024).
A emigração com
destino sobretudo à Suíça e Espanha de 65 000 portugueses em 2024 – ano em
foram contabilizados 8 092 regressos – é, por sua vez, de acordo com o Observatório
da Emigração, idêntica aos números registados em 2005.
Com anos de forte
emigração – 120 000 saídas em 2013 – ou com menos partidas – 45 000 em
2020 –, as baixas qualificações dos emigrantes portugueses são de assinalar;
provavelmente mais de metade conta apenas com o ensino secundário.
As baixas qualificações educacionais são,
reconhecidamente, uma pecha lusitana: 38% da população adulta (25-64 anos) tem
como habilitação académica mais alta o ensino básico e só 43% dos portugueses
entre 25 e 34 anos completou um curso superior, valor abaixo da média de 48%
dos 38 países da OCDE, de acordo com o relatório Education at a Glance 2025.
Com
24% de idosos entre 10,7 milhões de habitantes e um saldo natural negativo,
qualquer possibilidade de desenvolvimento sustentável a um nível competitivo
que não acarrete empobrecimento relativo crescente no contexto europeu, obriga
Portugal a adoptar políticas de migração que abarquem a área de educação e
formação.
A urgência
educacional tem vertentes que visam melhores competências para maior
produtividade e consequentes acréscimos de remunerações ou a promoção de
capacidades individuais propiciando coesão social capaz de incorporar maior
diversidade cultural e linguística.
A integração de
imigrantes (incluindo programas de reunião familiar) para ser bem-sucedida tem
de incorporar com sucesso os jovens das comunidades de mão-de-obra estrangeira.
As escassas
qualificações da maior parte dos imigrantes e, para muitos a falta de domínio
do português, acrescendo condições de subsistência precárias, dificultam o
sucesso escolar das crianças e jovens a seu cargo.
Vagas migratórias
significativas, como a que se faz sentir em Portugal, mudam bastante as
sociedades a médio e longo prazo e levam a crispações ou mesmo crises de muito
difícil solução no imediato.
A imigração é,
agora, uma característica essencial da sociedade portuguesa e políticas que
ignorem quem veio de longe condenam-nos ao fracasso, amarguras, desgostos.
Texto escrito segundo o Acordo Ortográfico de 1945
Uma aliança formal ou mesmo um entendimento sobre interesses conjunturais é, também, a forma que um estado adopta para controlar o comportamento dos seus aliados.
Toda esta gente é moralmente corrupta e despudorada, directamente responsável ou conivente, nas esferas de decisão do estado, por actos que lhes propiciem vantagens pessoais ou a terceiros.
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